O ANGOSAT-2 começa a transformar a falta de conectividade em oportunidade de negócio para jovens angolanos, com técnicos capacitados a criar serviços de Internet, conquistar clientes e desenvolver soluções tecnológicas em localidades onde as redes convencionais ainda apresentam cobertura limitada ou inexistente.
A nova frente de empreendedorismo está a ganhar forma através do Conecta Angola Comercial, iniciativa do Governo, por via do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), implementada pelo Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) e parceiros.
O projecto, segundo o GGPN, procura transformar a capacidade tecnológica do ANGOSAT-2 numa ferramenta de inclusão digital e, simultaneamente, numa fonte de actividade económica para jovens capacitados em Tecnologias Espaciais.
Os jovens formados são chamados a identificar essas necessidades, instalar soluções, prestar assistência técnica e criar relações comerciais com famílias, empresas e instituições.
As primeiras experiências mostram que o modelo já começa a gerar resultados em diferentes províncias.
Moxico leva Internet a zonas remotas
No Moxico, o engenheiro informático Noé Manuel, da startup Weza Tsekechan, Lda., participou na instalação e migração de uma antena do ANGOSAT-2 da Banda C para a Banda Ku, no município de Lutuai, localizado a mais de 200 quilómetros do Luena.
A intervenção permitiu levar conectividade à Administração Municipal e a serviços essenciais numa zona onde a cobertura das redes convencionais é limitada.
Para Noé Manuel, a formação permitiu compreender que o satélite não representa apenas uma infra-estrutura tecnológica, mas também uma oportunidade para os jovens criarem negócios a partir das necessidades existentes nas próprias comunidades.
A experiência de Lutuai demonstra igualmente que a actividade pode gerar procura por serviços técnicos, desde a instalação e configuração dos equipamentos até à manutenção e assistência aos utilizadores.
Namibe transforma Internet em negócio
No Namibe, o engenheiro Sandro Vunda, da VundaX, já identificou cerca de cinco potenciais clientes privados interessados em soluções de conectividade, além de manifestações de interesse provenientes de instituições públicas, situadas em zonas remotas.
O jovem criou igualmente um espaço semanal numa rádio local para divulgar o ANGOSAT-2 e o Conecta Angola Comercial, utilizando a comunicação como instrumento para apresentar os serviços e aproximar potenciais clientes.
A estratégia combina conhecimento técnico, promoção comercial e identificação de necessidades, mostrando como a conectividade pode criar uma cadeia de negócios à volta da prestação de serviços de Internet.
Bié atende cerca de 50 utilizadores
No Bié, o engenheiro Guilherme Gaspar, da startup Caju Tecnologias, participou na migração de uma estação de conectividade do ANGOSAT-2 da Banda C para a Banda Ku, na localidade de Belo Horizonte, a cerca de 73 quilómetros do Cuito.
A estação permite garantir conectividade a cerca de 50 utilizadores por dia, numa zona onde o acesso às redes convencionais é limitado.
Para além da instalação, a experiência permite ao técnico desenvolver competências nas áreas de Operação e Manutenção de Equipamentos, abrindo perspectivas para a prestação de serviços a outros clientes da região.
Internet apoia produção de arroz
Em Luquembo, na província de Malanje, o técnico Hernani Fernando, da startup Joesid, instalou uma antena do Conecta Angola Comercial numa fazenda produtora de arroz.
A Internet disponibilizada através do ANGOSAT-2 passou a apoiar as actividades da unidade agrícola, enquanto outras fazendas da região começaram a demonstrar interesse em soluções semelhantes.
O caso mostra uma dimensão importante do projecto: a conectividade deixa de ser apenas um serviço de comunicação e passa a funcionar como infra-estrutura de apoio à actividade produtiva.
Para o sector Agrícola, o acesso à Internet pode facilitar a comunicação com fornecedores e clientes, acesso à informação, utilização de plataformas digitais e organização das operações.
Formação cria rede de negócios
A formação promovida pelo MINTTICS, através do GGPEN e parceiros, começa igualmente a gerar uma rede entre os próprios participantes.
Domingos Panzo, um dos jovens capacitados, já entregou três soluções tecnológicas a membros do grupo e tem recebido novos clientes, através das recomendações feitas pelos colegas.
Oportunidade está onde falta Internet
As experiências registadas no Moxico, Namibe, Bié e Malanje revelam uma dimensão económica do programa que vai além da expansão da cobertura de Internet.
Ao criar condições para que jovens prestem serviços em localidades remotas, o Conecta Angola Comercial procura estimular o empreendedorismo tecnológico fora dos grandes centros urbanos, aproximando a oportunidade empresarial das comunidades que mais necessitam de conectividade.
O modelo permite que o jovem seja simultaneamente técnico, prestador de serviços e empreendedor, enquanto a comunidade passa a beneficiar de uma infra-estrutura capaz de apoiar actividades económicas, administrativas, educativas e sociais. &



