O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciou esta Quarta-feira que desembolsou cerca de 2,9 mil milhões de dólares em Angola, nos últimos dez anos, para apoiar os sectores da energia, água, agricultura, saneamento, governação, juventude, empreendedorismo e inovação.
De acordo com o representante residente do BAD em Angola, Pietro Toigo, os 2,9 mil milhões de dólares investidos no país representaram um crescimento exponencial na última década.
Os referidos investimentos "demonstram como o sistema multilateral e, em particular, o BAD podem constituir uma solução financeira viável para apoiar a estratégia de diversificação económica que Angola tem implementado".
Este apoio "tem-se materializado em sectores estratégicos como energia, agricultura, água e saneamento, governação, juventude e empreendedorismo, inovação e desenvolvimento do sector privado", na cerimónia de lançamento do Relatório da Revisão da Eficácia do Desenvolvimento em Angola 2016-2025,
Por sua vez, o secretário de Estado para o Planeamento, Luís Epalanga, destacou a importância do relatório e da parceria com o BAD e concretizou que ao longo da década 1,3 milhões de pessoas passaram a ter acesso à electricidade, cerca de 550 mil pessoas tiveram acesso melhorado à água e quase 30 mil pessoas beneficiaram de melhores condições de saneamento.
Na agricultura, cerca de 50 mil agricultores adoptaram tecnologias mais produtivas e resilientes às alterações climáticas, "contribuindo para o aumento da capacidade produtiva, a segurança alimentar e a melhoria dos rendimentos das famílias rurais", assinalou o governante.
Luís Epalanga afirmou que a parceria com o BAD tem igualmente contribuído para o fortalecimento da capacidade do Estado e para a criação de um ambiente institucional mais favorável à transformação económica.
O representante do BAD considerou que o relatório oferece uma oportunidade para reconhecer o trabalho realizado ao longo deste período.
"É também uma celebração de uma parceria com Angola que continua a crescer e aprofundar-se", notou, referindo que mais importante do que o volume de financiamento mobilizado e os valores desembolsados "são os resultados alcançados".
Salientou que os investimentos, entre 2016 e 2025, resultaram em famílias com mais acesso à água, energia e saneamento, raparigas vulneráveis que beneficiaram de bolsas de estudo, agricultores com acesso a novas tecnologias e financiamento.
Toigo expressou igualmente desejo de continuar a melhorar a agilidade na implementação de projectos, reduzindo o tempo entre a aprovação e o primeiro desembolso, acelerando os processos de contratação e fortalecendo a capacidade de medir e comunicar resultados.
O representante do BAD reconheceu ainda a necessidade de se "acelerar o investimento no sector privado angolano", assumindo que o investimento directo do banco neste sector "permaneceu relativamente limitado, por diversas razões estruturais e regulamentares".
Recordou que, em Julho passado, o BAD aprovou o primeiro investimento no sector privado não financeiro, dando nota que a instituição bancária dispõe de uma carteira de projectos em preparação no sector privado superior a mil milhões de dólares com potencial de aprovação nos próximos dois anos.




