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O Banco Angolano de Investimentos (BAI) e o Bank of China Limited, Sucursal de Luanda, formalizaram, na terça-feira, dia 8, um acordo de cooperação destinado a reforçar as operações financeiras entre Angola e a China, com particular enfoque na utilização do renminbi (RMB) e na criação de novos canais para pagamentos transfronteiriços.
O Memorando de Entendimento estabelece as bases para a abertura de uma conta de compensação em renminbi, o desenvolvimento de serviços de liquidação e compensação nesta moeda e o apoio à adesão indirecta do BAI ao Cross-Border Interbank Payment System (CIPS), através do Bank of China. Trata-se de uma das principais infra-estruturas internacionais para o processamento e liquidação de pagamentos denominados em renminbi, a moeda da segunda maior economia mundial.
A parceria surge na sequência da decisão do Banco Nacional de Angola (BNA) de autorizar a utilização do renminbi no cumprimento das reservas obrigatórias em moeda estrangeira. A medida está a produzir efeitos que vão além da simples diversificação das reservas dos bancos comerciais, com várias instituições financeiras angolanas a reforçarem, em poucas semanas, as ligações à infra-estrutura financeira chinesa e a procurarem criar canais próprios para pagamentos e liquidações em yuan.
A possibilidade de utilizar a moeda chinesa como activo de reserva e, simultaneamente, realizar transacções directamente em renminbi abre um novo corredor financeiro entre Angola e a China. A medida poderá facilitar as operações comerciais entre os dois países, sobretudo tendo em conta o peso da China na economia angolana: além de ser o principal destino das exportações de petróleo de Angola, o país asiático é também um dos principais fornecedores de mercadorias ao mercado nacional.
A realização de pagamentos e liquidações directamente em yuan poderá reduzir custos associados à conversão para o dólar norte-americano ou para o euro, além de diminuir, em determinadas operações, a exposição das empresas às flutuações cambiais entre o kwanza e outras moedas de referência.
Assim, a parceria entre o BAI e o Bank of China deverá permitir ao banco angolano reforçar progressivamente a oferta de serviços destinados a empresas nacionais com relações comerciais ou financeiras com a China.
Entre os potenciais beneficiários estão empresas importadoras e exportadoras, investidores e outros agentes económicos com operações envolvendo contrapartes chinesas. O BAI prevê disponibilizar soluções especializadas para pagamentos, liquidação de operações comerciais e outras transacções em RMB, sempre em conformidade com os requisitos regulamentares aplicáveis.
A iniciativa acontece num contexto de crescente importância das relações económicas entre Angola e a República Popular da China e poderá contribuir para diversificar os mecanismos de pagamento utilizados no comércio bilateral. Mais do que uma simples alternativa cambial, a utilização do renminbi poderá criar uma ligação financeira mais directa entre os dois mercados, reduzindo a necessidade de recorrer ao dólar como moeda intermediária em determinadas operações.
Na ocasião, o Presidente da Comissão Executiva do BAI, Luís Filipe Lélis, destacou a importância do acordo para a estratégia de internacionalização do banco e para o apoio às empresas angolanas com actividade internacional.
"A assinatura deste Memorando de Entendimento constitui mais um passo na estratégia de internacionalização do BAI e reflecte o compromisso do Banco em disponibilizar aos seus clientes soluções cada vez mais robustas para apoiar as suas actividades internacionais", afirmou.
Segundo o responsável, a cooperação com o Bank of China reforça a capacidade do BAI para acompanhar a crescente dinâmica das relações económicas entre Angola e a China, contribuindo para o desenvolvimento do comércio, do investimento e da integração financeira entre os dois mercados.



