O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) formalizou esta terça-feira, 15 de Setembro, a transferência de 434 devedores para a RECREDIT – Gestão de Activos, S.A., para melhorar a qualidade dos seus activos e libertar capacidade para novos financiamentos à economia.
O acordo, que envolve cerca de 261,92 mil milhões de kwanzas, foi rubricado pelos presidentes dos conselhos de Administração do BDA e da RECREDIT, João Quintas e Mirian Ferreira, à margem da 5.ª Sessão Extraordinária da Equipa Económica, que analisou o balanço dos Relatórios de Desempenho das Instituições Financeiras Públicas, sob orientação do ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.
Segundo João Quintas, a operação enquadra-se na estratégia do BDA de se concentrar na sua actividade principal, o financiamento da economia, tendo, por isso, chegado a um acordo com a RECREDIT para a transferência de parte dos activos.
O gestor bancário referiu que o BDA dispõe de dois mecanismos de recuperação de crédito, sendo um assegurado internamente, através da actividade diária do banco, e o outro pela transferência de parte da carteira para entidades especializadas na recuperação de activos.
João Quintas destacou os progressos registados nos mecanismos internos de recuperação estão actualmente mais estruturados e que o banco, adoptou maior rigor para evitar a repetição de situações que contribuíram para o aumento do incumprimento.
Sobre o processo de recuperação da carteira, o PCA do BDA disse tratar-se de uma actividade dinâmica, que decorre de forma permanente.
Antes da operação, explicou, 57 por cento da carteira de crédito do banco encontrava-se em incumprimento, mas perspectivou uma redução significativa deste indicador com a transferência acordada com a RECREDIT.
“A nossa estimativa é lutar para que, até ao final do ano, tenhamos um nível de incumprimento que tangencie os 30 por cento”, afirmou.
O processo de reestruturação e saneamento da carteira do BDA, clarificou, visa tornar a instituição mais sólida, reduzir o risco de mercado e criar melhores condições para a captação de novas linhas de financiamento. O valor global do memorando ronda os 30 mil milhões de kwanzas.
Por sua vez, a PCA da RECREDIT, Mirian Ferreira, disse que a instituição adquiriu uma carteira de crédito improdutivo do BDA, envolvendo 434 entidades e 524 processos.
Explicou que a RECREDIT pretende trabalhar em articulação com o BDA para recuperar os créditos de forma transparente e justa, permitindo ao banco concentrar-se na sua actividade principal.
“A RECREDIT propõe-se a juntar sinergias com o Banco de Desenvolvimento de Angola para recuperar esses créditos e, de forma transparente, da forma mais justa possível, conseguir recuperar os mesmos”, afirmou.
Mirian Ferreira realçou que a operação permitirá ao BDA dedicar-se de forma mais assertiva ao seu “core business”, que consiste no financiamento da economia, enquanto a RECREDIT, entidade especializada, ficará responsável pela recuperação dos activos problemáticos.
Na ocasião, o Banco de Desenvolvimento de Angola assinou igualmente memorandos de entendimento com empresas responsáveis por projectos considerados estratégicos para a economia nacional.
Com a Every Where Angola, Lda., foi formalizado um instrumento para o desenvolvimento de uma unidade industrial de produção de óleo bruto de soja, prevendo a integração de matéria-prima proveniente de produtores financiados pelo BDA.
Já com a NOVA FUMETAL, Lda., o memorando está orientado para a implementação de uma unidade metalúrgica destinada à produção de equipamentos e máquinas para o sector agrícola, contribuindo para o reforço da capacidade industrial nacional e para a mecanização da agricultura.
O acordo com a VIRTUS HONOS TRADING enquadra a implementação de uma fábrica de produção e comercialização de polpas de frutas, com o objectivo de promover a transformação da produção agrícola nacional e a valorização da respectiva cadeia de valor.
Foi igualmente celebrado um memorando tripartido entre o BDA, o FADA e a LUMINA – Spargere, Lda., destinado à articulação institucional em torno do Projecto Kahosi Agroindustrial e de outras iniciativas de interesse comum.
O projecto prevê a instalação de quatro unidades agro-industriais de média escala, destinadas à transformação de matérias-primas agrícolas produzidas localmente para alimentação animal, óleos vegetais, café beneficiado, ração e combustível sólido de biomassa.



