Beyond Vision aposta em Angola para expandir negócio de drones militares

A fabricante portuguesa de drones Beyond Vision está a tentar ganhar a confiança das autoridades de segurança angolanas, avança a Africa Intelligence.
Segundo a publicação francesa, os produtos da empresa serão apresentados à cúpula militar do país nos próximos meses, com conclusão prevista até Setembro, numa iniciativa que visa reforçar as capacidades das Forças Armadas Angolanas.
A Beyond Vision foi fundada em 2013 e tornou-se, nos últimos anos, um dos nomes de referência da indústria portuguesa de drones para aplicações de defesa e segurança, ao lado de empresas como a Tekever.
A companhia já fornece a Marinha e o Exército portugueses, além de forças policiais em França e na Alemanha, e fechou recentemente um contrato de 15 milhões de euros nos Estados Unidos para o fornecimento de 300 drones de emergência, com um investimento associado de 50 milhões de euros na construção de uma fábrica em solo norte-americano.
Angola já constava, de resto, entre os mercados prioritários identificados pela Beyond Vision na sua mais recente estratégia de expansão internacional, anunciada em Março deste ano, que abrange também outros países como os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita, Marrocos e a Argélia.
A eventual entrada da Beyond Vision no mercado angolano surge num momento em que as Forças Armadas Angolanas (FAA) já negociaram com outros fornecedores internacionais de drones. O caso mais avançado é o dos Aksungur, drones de média altitude e longa duração fabricados pela turca Turkish Aerospace Industries (TAI), num contrato de 93,1 milhões de dólares aprovado em 2022 entre a empresa pública angolana Simportex e a fabricante turca — que tornou Angola no primeiro operador militar africano confirmado deste modelo.
Fora este caso, o panorama dos meios aéreos não tripulados ao serviço de Angola é pouco transparente: um levantamento recente sobre a proliferação de drones em África situa o país no grupo da região austral do continente, onde predominam sistemas ligeiros usados sobretudo em vigilância marítima, controlo de fronteiras e combate à caça furtiva, sem identificar fabricantes concretos.
É neste cenário — dominado até agora por fornecedores turcos e por equipamento ligeiro de origem incerta — que a Beyond Vision procura agora abrir caminho junto dos órgãos de defesa e segurança, naquela que seria a primeira presença conhecida de um fabricante português neste segmento em Angola.



