BFA (COMO CONVÉM AO PODER) DESCE PREVISÃO DA INFLAÇÃO

Os analistas do BFA, num comentário à tendência de descida da inflação nos últimos meses, dizem que “a previsão para a inflação média anual foi reduzida de 12,6% para 10,2%, enquanto a estimativa para a inflação no final do ano passou de 11,2% para 7,8%”.
No comentário, enviado aos clientes, os economistas escrevem que “caso este cenário se materialize, Angola poderá registar os níveis de inflação mais baixos desde o início da actual série estatística, em 2015”, o que, acrescentam, “reforça igualmente a expectativa de continuação do ciclo de redução das taxas de juro por parte da autoridade monetária”.
O BFA antevê que o Banco Nacional de Angola apresente “novos cortes nas reuniões de Setembro e Novembro”, descendo a taxa de referência para os empréstimos bancários para cerca de 13,5%.
“Mantendo a tendência actual da variação mensal dos preços, a inflação homóloga poderá descer para cerca de 9,1% já no próximo mês, situando-se a um nível inferior a dois dígitos pela primeira vez desde que há registo, e continuando a diminuir gradualmente ao longo do ano”, escrevem, apontando dois factores como os principais motores da redução da subida dos preços.
“Em primeiro lugar, a taxa de câmbio tem permanecido estável desde o final de 2024, reduzindo significativamente os efeitos de contágio sobre os preços internos e, em segundo lugar, o aumento da disponibilidade de divisas tem permitido uma expansão das importações de bens e serviços, contribuindo para reforçar a oferta no mercado interno”, diz o BFA.
Num contexto de aumento da produção nacional, o que permite uma expansão da disponibilidade dos bens produzidos localmente, o BFA salienta ainda “o facto de Angola não estar a absorver os recentes choques internacionais sobre os preços das matérias-primas, posicionando-se em contraciclo relativamente à tendência observada em várias economias, onde persistem pressões inflacionistas”.
A previsão do Banco Nacional de Angola (BNA) para a inflação em Angola foi também revista em baixa para 8,6% no final de 2026 e a de crescimento económico em alta para 3,6%, anunciou o governador do BNA, Manuel Tiago Dias, em meados de Julho.
“Não se vislumbrando pressões inflacionistas nos próximos meses, o Comité de Política Monetária [CPM] reviu em baixa a projecção da taxa de inflação para 8,6% no final do ano de 2026, com um desvio de mais ou menos um ponto percentual”, disse o governador no final da 130.ª Reunião Ordinária deste órgão, na província de Malanje.
Na reunião anterior do CPM, realizada em Maio, em Luanda, a projecção do banco central angolano apontava para 11,5%.
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação homóloga fixou-se em 10,11% em Junho, face aos 19,73% observados no mês homólogo, confirmando a tendência de desaceleração dos preços.
Já a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi revista em alta de 3,5% para 3,6%, devido ao impacto positivo do setor não petrolífero, cujo crescimento estimado é de 4,32%.
Na leitura do comunicado final, Manuel Tiago Dias indicou que, de acordo com os dados do INE, o PIB angolano cresceu 5,32% no primeiro trimestre de 2026, “impulsionado pela contribuição positiva da actividade económica no sector não petrolífero”, cuja taxa de crescimento foi de 6,22%, enquanto o sector petrolífero contraiu 0,21%.
A taxa de inflação mensal fixou-se em 0,52% em Junho, abaixo dos 0,53% registados em Maio, reflectindo a desaceleração dos preços da classe de alimentação e bebidas não alcoólicas, “não obstante os ajustes dos preços do gasóleo em 5%, das tarifas de electricidade em 10% e dos serviços de transportes públicos ferroviários urbanos e suburbanos em 50%”.


