Bié: Aprimoradas técnicas para dinamizar pecuária

Os criadores de gado e aves da cidade do Cuito, província do Bié, participaram de uma formação sobre manejo e reprodução animal com recurso a novas tecnologias.
A iniciativa visa aumentar a produção e impulsionar o contributo do sector pecuário para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) rural angolano. A acção formativa — promovida pela Cooperativa de Criadores de Gado do Bié (CCGB) e conduzida pelos consultores sul-africanos Hezekiel Mpedi e Aston Bull, da empresa TOPIGS, à margem da Expo-Bié — abordou medidas de biossegurança, manejo e saúde animal, demonstrando como a inovação tecnológica optimiza a eficiência económica do criador. De acordo com o técnico Hezekiel Mpedi, o uso de softwares de gestão, monitorização do cio via aplicativo e identificação electrónica pode elevar a taxa de gestação em até 35%. Além disso, o intervalo entre partos cai de 18 para 12 meses, e a taxa de aproveitamento de embriões chega a 80%, contra os 55% do processo tradicional. Mpedi assegurou que a adopção deste modelo de gestão digital permitirá aos produtores angolanos reduzir em 25% os custos com reprodução e aumentar em 40% a produtividade do rebanho num período de três anos. “O retorno do investimento ocorre logo na segunda estação reprodutiva, transformando o custo fixo em ganho de escala”, afirmou Hezekiel Mpedi. O especialista sublinhou que a eficiência gerada pela tecnologia anula o peso dos investimentos iniciais em equipamentos. Experiência comprovada por uma fazenda da região Como modelo de referência, o investigador sul-africano apontou a fazenda Greenfield, do grupo Orquídea, sediado no Bié. A propriedade destaca-se pelos avanços em matéria de reprodução, com o uso recorrente de novas tecnologias na produção de gado suíno. Ao Jornal de Angola, Hezekiel Mpedi afirmou que a Greenfield constitui uma referência tanto para os criadores de suínos como para os produtores de outras espécies, face aos resultados alcançados no melhoramento genético. Por sua vez, o especialista Aston Bull, também vinculado à empresa sul-africana TOPIGS, sublinhou que os produtores angolanos podem elevar a oferta interna de carne e leite, diminuir a dependência de importações e gerar excedentes para exportação se adoptarem o processo produtivo apresentado. “Quando aumentamos a eficiência reprodutiva, elevamos o número de cabeças abatidas por ano sem a necessidade de expandir a área de pasto. Isto é crescimento com menos recursos, fazendo com que o PIB rural cresça de forma sustentável", defendeu. Aston Bull sustentou ainda a necessidade de se apostar não apenas na genética, mas também na nutrição e no manejo sanitário para garantir uma produção animal de alta qualidade.



