BNA revê inflação em baixa para 8,6 por cento e crescimento do PIB em alta para 3,6 por cento

A previsão de inflação em Angola foi revista em baixa para 8,6 por cento no final de 2026 e a de crescimento económico em alta para 3,6 por cento, anunciou o governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias.
"Não se vislumbrando pressões inflaccionistas nos próximos meses, o Comité de Política Monetária [CPM] reviu em baixa a projecção da taxa de inflação para 8,6 por cento no final do ano de 2026, com um desvio de mais ou menos um ponto percentual", disse o governador no final da 130.ª Reunião Ordinária deste órgão, que terminou esta Terça-feira na província de Malanje.
Na reunião anterior do CPM, realizada em Maio, em Luanda, a projeção do banco central apontava para 11,5 por cento.
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação homóloga fixou-se em 10,11 por cento em Junho, face aos 19,73 por cento observados no mês homólogo, confirmando a tendência de desaceleração dos preços.
Já a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi revista em alta de 3,5 para 3,6 por cento, devido ao impacto positivo do setor não petrolífero, cujo crescimento estimado é de 4,32 por cento.
Na leitura do comunicado final, Manuel Tiago Dias indicou que, de acordo com os dados do INE, o PIB angolano cresceu 5,32 por cento no primeiro trimestre de 2026, "impulsionado pela contribuição positiva da actividade económica no sector não petrolífero", cuja taxa de crescimento foi de 6,22 por cento, enquanto o sector petrolífero contraiu 0,21 por cento.
A taxa de inflação mensal fixou-se em 0,52 por cento em Junho, abaixo dos 0,53 por cento registados em maio, refletindo a desaceleração dos preços da classe de alimentação e bebidas não alcoólicas, "não obstante os ajustes dos preços do gasóleo em 5 por cento, das tarifas de electricidade em 10 por cento e dos serviços de transportes públicos ferroviários urbanos e suburbanos em 50 por cento".
Dez províncias registaram taxas de inflação homóloga de um dígito, com destaque para Huambo (7,53 por cento), Lunda Norte (7,65 por cento), Cunene (7,75 por cento) e Cuanza Norte (7,88 por cento), tendo Luanda registado igualmente um valor abaixo dos 10 por cento (9,96 por cento).
Em resposta aos jornalistas, o governador defendeu que uma inflação "baixa e estável", seguida de aumentos de produtividade e de "melhorias nos salários", fará com que a população comece "a sentir os efeitos da queda da inflação", sublinhando que, com a taxa actual, "a perda do poder de compra do cidadão já foi menor" face a 2024 e 2025, anos em que a inflação se situou, respevtivamente, em 27,5 e 15,7 por cento.
Manuel Tiago Dias destacou ainda que, apesar do nível geral de preços, há muitos produtos que efectivamente registaram redução de preços, particularmente na classe de alimentação e bebidas não alcoólicas, "uma vez que é através desta classe que se pode medir verdadeiramente os impactos sobre o consumidor final".
Entre as vantagens da descida da inflação, o governador apontou a redução das taxas de juro praticadas pelos bancos comerciais, notando que a taxa do mercado monetário interbancário 'overnight' "já está em torno de 12 por cento".
As taxas de juro "são negociáveis", lembrou, apelando às empresas que procuram financiamento para aproveitarem o "espaço de concorrência" existente num mercado com 22 bancos em funcionamento.
Sobre os riscos para a trajectória dos preços, Manuel Tiago Dias admitiu ser "um pouco arriscado" falar com horizonte no final de 2026, mas garantiu que, até à próxima reunião do CPM, não se anteveem "grandes riscos capazes de comprometer a trajectória descendente dos preços" na economia nacional.
O governador acrescentou que, quando o INE publicar, em Agosto, os dados da inflação de Julho, o banco central acredita que Angola vai "já registar uma inflação de um dígito".



