Britânica Total Graphite trava produção em Madagáscar para reforçar investimento em Moçambique

A britânica Total Graphite decidiu acelerar o desenvolvimento dos seus projectos de grafite em Moçambique, onde prevê atingir uma produção inicial de 50 mil toneladas por ano em Montepuez, província de Cabo Delgado, suspendendo temporariamente as operações em Madagáscar para concentrar recursos na expansão do negócio e no desenvolvimento da sua cadeia industrial.
A decisão consta de uma actualização operacional enviada aos mercados e consultada pela Lusa, na qual a empresa, cotada na Bolsa de Valores de Londres, refere estar a dar prioridade ao desenvolvimento dos seus activos de grande escala em Moçambique e aos respectivos planos de processamento industrial, enquanto conclui a optimização da operação de Vatomina, em Madagáscar.
No âmbito dessa estratégia, a produção na mina malgaxe foi temporariamente suspensa para permitir trabalhos adicionais de perfuração, planeamento mineiro, melhoria das infra-estruturas e optimização da unidade de processamento. A retoma das operações está prevista para Dezembro, com uma meta superior a mil toneladas mensais.
Em paralelo, a empresa encontra-se a actualizar o estudo definitivo de viabilidade do projecto de Montepuez, em Cabo Delgado, cuja primeira fase prevê uma capacidade de produção de 50 mil toneladas anuais, reforçando a aposta num activo considerado estratégico para o crescimento do grupo.
A Total Graphite sustenta que os resultados do programa de optimização reforçaram a convicção da administração de que dispõe de “um portefólio de activos valiosos capaz de suportar um negócio integrado de grafite significativamente maior”, orientado para responder à crescente procura do mercado mundial de baterias e da transição energética.
Segundo o comunicado, a empresa dispõe actualmente de uma posição de caixa de 3,8 milhões de dólares, incluindo uma garantia bancária de 2,3 milhões de dólares associada aos projectos mineiros em Moçambique.
A companhia acrescenta que continua a avaliar oportunidades de financiamento e de parcerias estratégicas para acelerar o desenvolvimento dos seus activos. O anúncio surge numa altura em que a indústria moçambicana do grafite mostra sinais de forte recuperação.
Dados do Governo indicam que o país produziu 28.018 toneladas do mineral apenas no primeiro trimestre de 2026, volume que representa quase o dobro da meta inicialmente estabelecida para todo o ano, fixada em 14.814 toneladas.
Segundo o Executivo, este desempenho resulta da estabilidade operacional do principal produtor nacional e da entrada em funcionamento de uma nova empresa na província do Niassa, permitindo atingir 189% da meta prevista para o período.
A recuperação contrasta com a volatilidade registada nos últimos anos. Depois de alcançar um recorde de 165,9 mil toneladas em 2022, a produção nacional recuou para 97,3 mil toneladas em 2023 e para 34,9 mil toneladas em 2024. Em 2025, contudo, Moçambique recuperou para 67.078 toneladas, apesar de não ter registado qualquer produção no primeiro trimestre devido à paralisação da mina de Balama, em Cabo Delgado, afectada pelos protestos que se seguiram às eleições gerais de Outubro de 2024.
Considerada uma das maiores minas de grafite do mundo destinadas ao mercado de baterias para veículos eléctricos, incluindo o norte-americano, Balama continua a desempenhar um papel central na estratégia mineira do país.
O potencial da fileira tem sido igualmente reforçado pelo investimento em processamento local. Em Janeiro, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, defendeu, na inauguração da nova fábrica de processamento de grafite no Niassa, que o país deve posicionar-se como fornecedor de grafite de alta pureza, acrescentando valor ao minério antes da exportação.
A unidade industrial, de capitais chineses, representou um investimento de cerca de 200 milhões de dólares (171,5 milhões de euros), possui capacidade para produzir e processar até 200 mil toneladas de grafite por ano e emprega actualmente 1.090 trabalhadores, número que deverá ultrapassar os dois mil quando atingir a capacidade máxima.


