Ondjiva - As deslocações sazonais de criadores tradicionais de gado para zonas de pasto, na província do Cunene, reduziram de forma considerável, fruto da abertura do Canal do Cafu, afirmou, esta terça-feira, o rei de Ombala ya Nalueque, Mário Satipamba.
Ondjiva - As deslocações sazonais de criadores tradicionais de gado para zonas de pasto, na província do Cunene, reduziram de forma considerável, fruto da abertura do Canal do Cafu, afirmou, esta terça-feira, o rei de Ombala ya Nalueque, Mário Satipamba.
Em declarações à ANGOP, a autoridade tradicional disse que a operacionalização dessa infra-estrutura diminuiu o sofrimento da população que se dedica à pastorícia e percorria longas distâncias para obter alimento para os animais.
Sublinhou que, nos anos anteriores, as famílias ficavam desestruturadas, com a deslocação do pai e de filhos que eram obrigados a movimentar os animais em mais de 100 quilómetros para salvaguardar a vida do principal activo económico da população do Cunene.
O rei recordou que, no ano de 2019, foi obrigado a se deslocar 145 quilómetros da sede de Ombala ya Nalueque para Chivemba (zona limítrofe com a província da Huíla), com vista a salvar o gado, facto que actualmente ficou para história.
Acrescentou que, com a água do Cafu, se assiste de igual modo o crescimento em abundância da vegetação nas chanas e a regularidade da chuva.
“São benefícios com um impacto social e económico imensurável e de grande alívio para os criadores, pois as movimentações constantes do gado é algo realmente ultrapassado”, enfatizou.
Apesar desse benefício, admitiu ainda a existência de localidades que distam a 50 ou 70 quilómetros do Cafu, que aguardam pela criação de ramais que saem do canal para o interior das comunidades circunvizinhas, sobretudo nos municípios de Cuanhama e Namacunde.
Por outro lado, Mário Satipamba enfatizou o acesso às hortícolas e outros produtos, que anteriormente saiam de outras províncias, mas actualmente são produzidos localmente, elevando deste modo a diversificação da dieta alimentar que era baseada na carne e no funge de massango.
Segundo o rei, as famílias vão, aos poucos, ganhar a cultura de trabalhar nas hortas, com a interação de outros agricultores experientes em matéria de produção irrigada.
Almejou ainda a melhoria em outras regiões a nível dos municípios do Cuvelai, Mupa, Cafima, Nehone, Cuanhama, Cahama e Curoca, no quadro da operacionalização das barragens e canais associados do Ndue, Calucuve e Hita Hita (Cova do Leão).
Dados do Serviço de Veterinária indicam que a província do Cunene tem um efectivo estimado em mais de um milhão e 250 mil cabeças de gado bovino. Desse efectivo pecuário, o sector tradicional detém 75 por cento, enquanto os fazendeiros controlam 25%. FI/LHE/QCB



