O Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (INAPEM) tem registados na sua plataforma de serviços 3.537 produtos com o selo “Feito em Angola”.
De acordo com dados obtidos pelo Jornal de Angola na Feira Internacional de Luanda (FILDA), que hoje encerra, o indicador reflecte o sucesso dos programas de incentivos desenvolvidos pelo Executivo para fomentar a produção nacional. Estas medidas — que abrangem desde reformas fiscais e legislativas ao acesso ao crédito — têm motivado o sector privado a inovar nos serviços e a projectar novos investimentos a curto, médio e longo prazos. O impacto desta inovação no sector alimentar é evidente nesta 41.ª edição da FILDA 2026. No certame, a concorrência entre empresas e indústrias demonstra o amadurecimento de uma marca nacional mais diversificada, com elevados padrões de qualidade para o consumo interno e apta para a exportação. No âmbito do programa gerido pelo Ministério da Indústria e Comércio, 705 empresas já aderiram ao processo, com forte protagonismo dos sectores do comércio e da indústria. A província de Luanda continua a liderar o número de registos na plataforma. Marcas nacionaisA lista de investidores e promotores do selo “Feito em Angola” presentes na FILDA é extensa e de forte visibilidade. Um dos grandes destaques é o Grupo Angoalissar, que expõe no certame produtos diversificados de quatro das suas unidades fabris associadas: Grandes Moagens de Angola (GMA), Lactiangol, Granofino e Rafinole. A Grandes Moagens de Angola, uma das maiores indústrias transformadoras de trigo do país, opera com uma capacidade anual de 390 mil toneladas e uma linha de última geração capaz de processar até 1.200 toneladas por dia. Para garantir a estabilidade do abastecimento ao mercado industrial, a empresa possui infra-estruturas de armazenamento com capacidade para mais de 60 mil toneladas no Porto de Luanda e 66 mil toneladas no Porto do Lobito. Já a Lactiangol, unidade pioneira na produção de laticínios desde 1994, mantém a liderança no fabrico de leite, iogurtes, sumos e manteiga. No segmento de óleos e gorduras vegetais, a Rafinole — que opera num complexo de quatro hectares — destaca-se com uma capacidade instalada de armazenamento superior a 32.600 toneladas, processando cerca de 450 mil litros por dia através de seis marcas certificadas. Por sua vez, a fábrica Granofino foca-se nas massas alimentares, apresentando uma capacidade de produção anual de 100 mil toneladas numa área de 40 mil metros quadrados. Em declarações ao Jornal de Angola, o director de marcas do grupo, Lizandro Gastão, informou que cerca de 80% dos produtos distribuídos pela Angoalissar já são de origem nacional. O objectivo formal da companhia é atingir a meta de 100% de produção nacional até 2029, eliminando progressivamente a dependência de matérias-primas importadas. Para alcançar esse marco, o grupo actua como um parceiro estratégico no escoamento agrícola do país, absorvendo em grande escala cereais, girassol, tubérculos e frutícolas cultivados tanto por fazendas comerciais como por famílias camponesas do Huambo, Huíla, Namibe e Luanda. A consolidação destas indústrias, a exemplo da fábrica de massas Granofino, impulsiona fortemente a economia não petrolífera do país e funciona como um motor de desenvolvimento industrial. Este investimento estratégico permitiu a criação inicial de mais de 500 postos de trabalho directos voltados exclusivamente para cidadãos nacionais. Como resultado prático, esta iniciativa estratégica está a gerar estabilidade financeira e segurança social para centenas de lares angolanos, assegurando um rendimento regular a famílias que antes dependiam da subsistência. Além de transformar a realidade económica imediata dessas comunidades, o projecto promove a capacitação técnica contínua de uma nova geração de profissionais industriais na região, preparando quadros locais altamente qualificados para responder às exigências e desafios de um mercado fabril moderno e competitivo.




