Angola é uma das economias menos integradas em África, o seu comércio intra-africano diminuiu de 2,4 do comércio total para 1,8 por cento em nove anos e as infraestruturas constituem um obstáculo significativo, segundo um estudo do BAD divulgado esta Quarta-feira.
O Relatório da Revisão da Eficácia do Desenvolvimento em Angola 2016-2025, elaborado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e divulgado em Luanda, mostra que apesar dos seus recursos consideráveis, Angola continua a ser uma das economias menos integradas de África.
A análise refere que os indicadores de integração regional [de Angola] "são persistentemente baixos, com o comércio intra-africano a diminuir de 2,4 do comércio total em 2016 para apenas 1,8 por cento em 2024".
O BAD salienta que as infraestruturas "continuam a ser um obstáculo significativo".
Entende que embora Angola tenha feito "progressos significativos" no Índice de Desenvolvimento de Infraestruturas em África, melhorando de 56,31 em 2016 para 62,45 em 2025 devido aos investimentos em transportes, electricidade, tecnologias e sistemas hídricos, a sua classificação geral "permanece modesta, em 37.º lugar na África, refletindo as lacunas estruturais em curso".
No relatório a instituição financeira salienta também que as melhorias nas infraestruturas ainda não se traduziram numa maior integração regional, dado o declínio do comércio intra-africano neste período.
Estes resultados "sublinham os desafios persistentes em termos de conectividade, a facilitação limitada do comércio e uma orientação histórica para mercados fora de África".
Para o BAD, embora os grandes corredores de transporte e os projectos regionais de ligação eléctrica estejam agora a expandir-se – a exemplo do Corredor do Lobito – "o seu impacto ainda não produziu ganhos mensuráveis em termos de integração regional".
A orientação de Angola para o mercado externo "continua a ser principalmente moldada pelo seu sector petrolífero (…) A recente volatilidade do mercado mundial da energia veio realçar ainda mais as oportunidades e vulnerabilidades associadas a esta dependência", lê-se no estudo.
Segundo o BAD, regionalmente persistem igualmente obstáculos à integração, incluindo uma participação limitada nas plataformas regionais de comércio de energia, "que continuam a limitar o potencial de Angola para aprofundar as ligações económicas com os países vizinhos".
Considera, por outro lado, que os interconectores regionais de energia — actualmente em preparação para ligar Angola à República Democrática do Congo, Zâmbia, e o amplo “Power Pool da África Austral” — representam uma grande oportunidade para rentabilizar o excedente de energia limpa do país, apoiando a estabilidade regional e a industrialização.
No entanto, observa o BAD, a "fraca infraestrutura logística" de Angola e a "limitada conectividade dos transportes dificultam ainda mais a sua capacidade de aproveitar plenamente as oportunidades de investimento não petrolífero e aprofundar as ligações comerciais regionais".
Aponta-se ainda para "sinais de progresso", dado o índice de abertura de vistos de Angola "aumentou acentuadamente" em 2025, reflectindo uma redução significativa das restrições de viagem.
A ratificação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) e a aprovação da adesão à Zona de Comércio Livre da SADC (ZCLCA-SADC) "são outros sinais de um compromisso claro relativamente aos quadros comerciais continentais e regionais".
O BAD assinala que embora os actuais níveis de integração regional continuem a ser baixos, os recentes investimentos e reformas sugerem que Angola "está a entrar numa nova fase em que os corredores de transportes e de energia poderiam reforçar significativamente a sua posição regional".
O relatório analisa a parceria entre Angola e o BAD, destaca os progressos, os desafios que subsistem e as perspectivas futuras de apoio à agenda de desenvolvimento do país nos sectores da energia, transportes, água, agricultura, juventude, governação, inovação e outros.




