Conhecer com maior rigor o peso da economia informal no Produto Interno Bruto (PIB) poderá melhorar a qualidade das decisões económicas e permitir uma leitura mais próxima da realidade produtiva do país, sobretudo num contexto em que uma parte significativa das actividades é desenvolvida fora dos circuitos formais.
A avaliação é do economista Anderson Inocêncio, que considera importante a realização do Inquérito ao Sector Informal (ISI), promovido pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), por permitir transformar em dados estatísticos uma realidade económica que ainda não está devidamente quantificada nas contas nacionais.
Para o economista, a medição da produção informal não deve ser vista apenas como um exercício estatístico, mas como uma ferramenta para compreender melhor a estrutura da economia, a capacidade produtiva das famílias e o contributo de actividades que geram rendimento e emprego.
A ausência de dados suficientemente precisos sobre este segmento, segundo Anderson Inocêncio, pode limitar a leitura dos principais indicadores económicos e dificultar a definição de políticas ajustadas à realidade dos diferentes agentes económicos.
Uma economia para além do sector formal
A economia informal reúne um conjunto diversificado de actividades desenvolvidas por famílias, pequenos produtores, comerciantes, prestadores de serviços e outros operadores económicos. Embora muitas dessas actividades tenham impacto directo no rendimento das famílias e no abastecimento dos mercados, parte da sua produção não é captada com o mesmo nível de detalhe pelas estatísticas económicas convencionais.
É neste ponto que, segundo o economista, a medição da contribuição da informalidade para o PIB assume particular importância.
Ao conhecer quanto é efectivamente produzido neste segmento, será possível ter uma percepção mais abrangente da dimensão da economia nacional e avaliar com maior precisão a participação dos diferentes sectores na geração de riqueza.
Anderson Inocêncio entende que os resultados poderão igualmente contribuir para acompanhar a evolução da informalidade ao longo do tempo e perceber se as políticas de formalização estão a produzir os efeitos esperados.



