O crédito bruto ao sector não financeiro em Angola alcançou 9,2 biliões de kwanzas em Agosto deste ano, um resultado que representou um aumento de 912,14 mil milhões de kwanzas, equivalente a uma cifra de 11% face ao período homólogo de 2024.
Os dados demonstram a retoma gradual do financiamento à economia, num contexto em que a banca tem sido incentivada a conceder mais crédito ao sector produtivo e a reduzir a exposição a títulos do Estado.
Do total de crédito concedido, 85,2% foi destinado ao sector privado e 14,8% ao sector público, o que evidencia o peso crescente das empresas e famílias no acesso ao financiamento bancário.
Segundo as estatísticas do Banco Nacional de Angola (BNA), no período em referência, o stock de crédito à economia em moeda nacional atingiu 7,3 biliões de kwanzas em Agosto, registando um aumento de 766,4 mil milhões, o que representa também um crescimento de 11% face ao período homólogo de 2025.
O crescimento do crédito em moeda nacional é visto como um indicador positivo, uma vez que reduz o risco cambial para as empresas e para os bancos, e está em linha com a estratégia de desdolarização da economia defendida pelo BNA.
Entretanto, o endividamento do sector público não financeiro totalizou 1,5 biliões de kwanzas, dos quais 63,3% foram referentes à administração pública e 36,7% às empresas públicas.
De acordo com o BNA, o crédito ao sector privado continua concentrado nos sectores do comércio, construção, agricultura e indústria transformadora, embora ainda exista um grande espaço para expansão do crédito à produção nacional.
Analistas consideram que o aumento de 11% no crédito bruto, apesar de positivo, ainda é modesto face às necessidades de financiamento da economia angolana, que precisa de mais crédito para investimento, criação de emprego e diversificação económica.
O Banco Nacional de Angola tem implementado medidas para estimular o crédito, como o Aviso de concessão de crédito ao sector real da economia e a flexibilização de algumas exigências de garantias, sobretudo para as micro, pequenas e médias empresas.
A expectativa é que nos próximos meses o crédito continue a crescer, impulsionado pela melhoria da liquidez bancária e pela redução gradual das taxas de juro.



