O crescimento elevado naõ deve ser confundido com transformação estrutural, avisa o economista e docente universitário João de Sousa Kassinda.
Ao Jornal de Economia & Finanças (JEF), reagindo aos dados sobre as Contas Nacionais, referentes ao segundo trimestre de 2026, o docente da Faculdade de Ciências da Humanidade da Universidade do Namibe explica que os números publicados pelo Instituto Nacional de Estatística são suficientemente fortes para afirmar que a economia nacional atravessa uma fase de aceleração.
“Mas, por serem fortes, exigem uma leitura económica mais cuidadosa”, explica o académico, para quem a questão central deixa de ser o quanto se quer crescer e passa ser sobre que tipo de crescimento está por detrás dos expressivos 8,74%.
Sector Não Petrolífero cresce mais que o Petrolífero
Para João de Sousa Kassinda, o crescimento do sector Não Petrolífero em 9,24%, acima dos 5,64% do Petrolífero, não significa que o país tenha deixado de ser dependente do petróleo.
“Seria uma conclusão excessiva. Significa, porém, que a dinâmica trimestral da produção está a apresentar uma base relativamente mais diversificada. Esta distinção é fundamental”, esclarece o académico.
Acrescentando, João de Sousa Kassinda explica que uma economia pode continuar estruturalmente dependente de uma determinada actividade e, simultaneamente, apresentar uma conjuntura em que outras actividades assumem maior protagonismo no crescimento.
Por outro lado, o docente da Universidade do Namibe entende que a Política Económica não deve se limitar a preservar uma taxa elevada de crescimento.
Deve, segundo académico, procurar aumentar a produtividade, estimular o investimento produtivo, aprofundar a industrialização, melhorar a logística, aumentar a produção agrícola comerciável e criar condições para que as empresas nacionais aumentem sua capacidade de produzir bens e serviços competitivos. &



