O Governo, através do Ministério da Agricultura e Florestas, prometeu aos produtores nacionais que vai trabalhar com os órgãos afins para a redução das importações de bens alimentares agrícolas e pecuários, cuja oferta interna já existente está a ser prejudicada com as compras ao exterior.
Esta garantia foi dada, no último sábado, no município do Lonhe, província do Cuanza-Sul, pelo ministro da Agricultura e Florestas. Isaac dos Anjos presidiu ao encerramento do Dia do Campo, realizado na Fazenda Cambondo, 28 quilômetros do centro da sede do município da Quibala.
Diante de produtores, empresários e de membros do Governo Central e, também, da província do Cuanza-Sul, Isaac dos Anjos repetiu o que, dias antes, tinha dito durante um encontro com empresários agrícolas do Brasil.
O ministro reafirmou sobre a necessidade de deslocalização das fazendas, indústrias e investimentos agro-pecuários para Angola, com vista a efectivar-se o compromisso do país de diversificação da economia e da maior valorização da produção nacional.
“Quisemos com este Dia do Campo tornar público o que se faz e bem feito neste país, com sacrifício, garra e determinação. Esta é a resposta mais acertada que podemos dar aos que persistem na saída mais fácil, a de importar. Temos de pôr os nossos empresários a produzirem em Angola”, afirmou.
Segundo Isaac dos Anjos, a produção nacional e todos os que trabalham para que a mesma se afirme e responda à procura interna continuam a merecer protecção do Governo.
Nesse sentido, todo o encorajamento foi direcionado aos produtores agrícolas a fim de continuarem a aumentar os níveis de produção para a garantia da cadeia alimentar no país.
A própria Fazenda Cambondo, que acolheu o Dia do Campo, foi ressaltada como um exemplo, assim como a Fazenda Santo António, iniciativas de produtores angolanos, e que são referências na oferta de produtos diversos em qualidade e quantidade que nada devem aos bens trazidos de fora.
Foi nesta perspectiva que o ministro prometeu o continuo empenho pessoal e colectivo da equipa da Agricultura e Florestas, com o estreitamento do diálogo ao nível do Governo e homólogos para que se trave a preferência pela importação em detrimento da produção e dos produtores nacionais.
A título de exemplo, Isaac dos Anjos referiu-se à existência de armazéns com produtos pecuários, mas que lhes falta indústria complementar para os cortes necessários. Este problema das áreas de abate e corte aumenta, também, com o menor poder de compra das famílias e aumento dos custos de aquisição dos insumos.
Isaac dos Anjos defendeu que os produtores nacionais e os estrangeiros que estão no país apostam no ramo Agrícola sejam mais ousados, tenham resiliência e apostem, contra tudo e todos, no aumento da produção nacional e na qualidade do produto final.
“Assim, vai ser possível dar resposta à instabilidade gerada pelos conflitos no Médio Oriente, um mal que afecta os preços dos insumos e inputs, que ainda devem ser importados”, disse.
O Dia do Campo decorreu sob o lema "Acelerando a Reconversão dos Sistemas Agrícolas em Agro-alimentos”. Outro compromisso do ministro foi reduzir os intervalos e levar a experiência do Dia do Campo para todo o país.
Em relação a muitos questionamentos à volta da qualidade da produção nacional, Isaac dos Anjos assumiu que se está, actualmente, em melhores posições que antes. Entre os grandes desafios do sector, a preocupação sobre a qualidade dos alimentos produzidos no país está no topo da agenda do pelouro.
Por esta razão, o sector já está a trabalhar para inverter o actual quadro, que passa pelo reforço dos serviços nacionais de controlo de qualidade, aumento de laboratórios de controlo de qualidade e a diminuição de licenças para importação de produtos com capacidade de oferta no mercado nacional.
Isaac dos Anjos reconheceu a coragem e resiliência dos produtores nacionais e estrangeiros que, apesar das adversidades, continuam a fazer de tudo para que os produtos alimentares nacional cheguem à mesa das famílias angolanas. Foi reiterado o compromisso do Executivo em continuar a incentivar e criar políticas que reduzam a burocracia e facilitem a aquisição de meios financeiros para investir na produção de alimentos.
“É com eventos como o do Dia do Campo que vamos encontrar soluções que garantam uma agricultura desenvolvida e produzindo produtos de maior qualidade, mas que também sejam absorvidos pelo mercado nacional, missão que não deve ser tarefa exclusiva do sector", assumiu.
Reserva estratégica do país
O ministro da Agricultura e Floresta, Isaac dos Anjos, apelou aos produtores nacionais e estrangeiros ligados ao sector produtivo no país, para aproveitarem os altos níveis de produção como oportunidade que lhes habilita a servirem de suporte para garantir aquisição de alimentos para a Reserva Estratégica Alimentar no país.
“Pretendemos, com este passo, fazer com que o Executivo consiga poupar mais divisas, reduzir a importação de alimentos em função diversidade de produtos locais e incentivar os produtores a apostarem na qualidade, eficiência e sustentabilidade no sector”, indicou.
Isaac dos Anjos reiterou ser urgente que se criem novos mecanismos e condições que assegurem a conservação da produção nacional, para evitar que depois de colhidos os bens surjam dificuldades de conservação, escoamento e comercialização.
Para o ministro da Agricultura e Florestas, a terra deve ser uma fonte de rendimento, que possa contribuir para a geração de empregos, rendimentos das famílias, autonomia financeira e aumento da arrecadação de receitas para o Estado, bem como o desenvolvimento económico e social.
Sector Financeiro
O reescalonamento da dívida de produtores, renegociação de juros, prazos e valores têm de ser vistos pelo sector Financeiro como um contributo deste ao desafio de concretização da produção interna para substituição das importações e aumento e diversificação de exportações.
Esta posição foi vincada pelo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, no discurso proferido no fecho do Dia do Campo, realizado sábado último, na Fazenda Cambondo, no Lonhe, província do Cuanza-Sul.
Para Isaac dos Anjos, é necessário consciência dos bancos que no início podem aparecer perdas, mas que na persistência de todos está o ganho da aposta em se financiar a produção nacional.
Iniciativa do Ministério da Agricultura e Florestas assente em quatro pilares
O Dia do Campo, organizado pelo Ministério da Agricultura e Florestas, e que decorreu na Fazenda Cambondo, município do Lonhe, província do Cuanza-Sul, é uma iniciativa pública assente em quatro pilares centrais.
De acordo com notas do promotor do evento, com o Dia do Campo pretendeu-se destacar a “inovação” ao trabalho da agricultura.
É neste sentido que os especialistas e produtores avaliaram as melhores técnicas e tecnologias disponíveis ou a disponibilizar com o objectivo de melhoria efectiva nos resultados anuais de cada produção.
Outro pilar destacado foi do “Conhecimento que transforma”, numa alusão à materialização da informação científica e académica colocada ao serviço do produtor. As escolas de campo foram destacadas como excelentes vias na disseminação do conhecimento, sem que tal retire a contínua aposta de aumento da oferta formativa superior, através das faculdades de Agronomia.
Sobre o pilar do “produzir com qualidade”, os participantes no Dia do Campo destacaram o aumento da oferta interna e com agrado viram e ouviram testemunhos como são as 500 toneladas de sementes melhoradas de milho e iguais quantidades em hortícolas, num conjunto de 2.000 toneladas de sementes movimentadas na Fazenda Cambondo.
Finalmente, o evento visou, também, realçar o pilar do “crescer com sustentabilidade”, objectivo para o qual a província do Cuanza-Sul se assumiu como potência e com potencial para ser o celeiro nacional. A província das referenciadas fazendas agro-pecuárias combina, também, uma intensa área de cultivo sob alçada da produção familiar. Dados indicam que a província reúne 1,4 milhões de produtores familiares e empresariais.




