Luanda - O secretário de Estado para a Agricultura e Florestas, Castro Paulino Camarada, defendeu, esta segunda-feira, em Luanda, a melhoria da qualidade dos estudos e projectos do sector agrário, de modo a aumentar a capacidade de mobilização de financiamento e acelerar o desenvolvimento rural sustentável em Angola.
Luanda - O secretário de Estado para a Agricultura e Florestas, Castro Paulino Camarada, defendeu, esta segunda-feira, em Luanda, a melhoria da qualidade dos estudos e projectos do sector agrário, de modo a aumentar a capacidade de mobilização de financiamento e acelerar o desenvolvimento rural sustentável em Angola.
Ao discursar no acto de apresentação pública da Unidade Técnica de Estudos e Projectos de Desenvolvimento Rural Sustentável (GESTAMB U.T.), o dirigente considerou a iniciativa relevante para o actual momento de transformação do sector agrário e de reforço da participação do investimento privado no desenvolvimento rural.
Castro Paulino Camarada afirmou que Angola dispõe de grandes oportunidades nos domínios agropecuário, florestal e agroindustrial, mas enfrenta igualmente desafios que exigem a transformação dessas oportunidades em projectos concretos, tecnicamente estruturados e economicamente viáveis.
Segundo o secretário de Estado, um projecto de desenvolvimento rural "não deve começar pela procura de financiamento", mas pela identificação correcta das oportunidades, conhecimento do território, dos recursos disponíveis, mercados e dos constrangimentos existentes.
Acrescentou que a preparação dos projectos deve incluir a definição clara dos objectivos, avaliação dos riscos e da viabilidade económica e ambiental, bem como a determinação das condições necessárias para a sua implementação e obtenção de resultados concretos.
Para o responsável, a Unidade Técnica poderá funcionar como uma ponte entre as oportunidades existentes e a concretização de projectos e investimentos, contribuindo para elevar a qualidade dos estudos e da preparação das iniciativas de desenvolvimento.
O secretário de Estado destacou também a importância crescente atribuída pelo Governo ao sector agrário, enquanto pilar da diversificação da economia, segurança alimentar, criação de emprego e desenvolvimento das economias locais.
Referiu que, no âmbito do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027, o Ministério da Agricultura e Florestas tem implementado vários projectos em diferentes regiões do país, alguns com apoio de agências multilaterais internacionais.
Entre as iniciativas, mencionou dois projectos de fomento à produção agropecuária lançados recentemente para a região Leste, financiados pelo Banco Africano de Desenvolvimento e pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), com acções que incluem apoio à produção e infra-estruturas produtivas, como estradas rurais.
Destacou igualmente o Agro-corredores Angola, lançado em Julho, em Benguela, como plataforma de transformação dos sistemas agro-alimentares assente nos corredores do Lobito e de Malanje, com cadeias de valor prioritárias destinadas a aproximar os produtores dos mercados e criar condições para o desenvolvimento da agro-indústria.
Castro Paulino Camarada reconheceu, entretanto, a necessidade de se reforçar a recolha de informação, investigação, documentação e os estudos de impacto dos projectos, defendendo a criação de linhas de base que permitam medir o progresso e as transformações resultantes das intervenções.
Salientou ainda que o desenvolvimento rural sustentável deve ser encarado de forma integrada, considerando as populações, água, energia, ambiente, vias de comunicação e demais recursos existentes.
Neste sentido, defendeu uma visão holística desde a fase de concepção dos projectos, para assegurar maior coordenação e complementaridade entre as diferentes acções de desenvolvimento.
O governante informou que estão em curso vários programas de fomento à produção de grãos, fruteiras tropicais e culturas industriais, com destaque para o café, cacau e palma, além de iniciativas nos sectores da pecuária e da gestão dos recursos florestais.
Segundo o secretário de Estado, os dados de produção, transformação e comercialização de produtos agrícolas, pecuários e florestais indicam um crescimento progressivo do sector, que tem registado uma evolução anual na ordem dos seis por cento.
Considerou, contudo, que o aproveitamento do potencial existente depende também do aumento da disponibilidade de crédito e financiamento à actividade produtiva, reconhecendo que o acesso ao financiamento pelo sector agrário continua relativamente baixo.
Castro Paulino Camarada apontou a qualidade insuficiente de alguns projectos apresentados à banca como uma das questões frequentemente levantadas pelo sector financeiro, defendendo, por isso, que a nova Unidade Técnica contribua para aumentar o número de projectos financiáveis.
“Precisamos de aumentar significativamente o número de projectos financiáveis no sector agrário e ajudar os empreendedores, maioritariamente jovens, a transformar em realidade os seus projectos e os seus sonhos”, afirmou.
Defendeu, igualmente, que os projectos devem demonstrar a viabilidade financeira e o impacto económico, social e ambiental.
Na sua intervenção, encorajou a Unidade Técnica a assumir a sua missão com responsabilidade, rigor técnico e compromisso com os interesses do desenvolvimento nacional, tornando-se num espaço de competência, inovação e geração de soluções.
Sublinhou ainda que o acto serve de ponte entre o conhecimento técnico, as oportunidades de investimento e as necessidades concretas das comunidades rurais que deve permitir transformar projectos concretos em desenvolvimento real e efectivo. ANM/QCB


