E-mails de Epstein com cerca de 200 referências a Angola

Printed copies of documents released by the U.S. Justice Department in connection with court cases involving the late financier and convicted sex offender Jeffrey Epstein, are seen in this photo illustration. Taken in Brussels, Belgium, on 8 February 2026. (Jonathan Raa / Sipa USA) *** Strictly for editorial news purposes only *** Foto: Jonathan Raa/Sipa USA
A correspondência privada de Jeffrey Epstein, um antigo lobista e investidor com ligações familiares a Israel e nacionalidade norte-americana, que morreu na prisão, nos EUA, em 2019, inclui cerca de 200 referências a Angola, sem quaisquer indícios de envolvimento de cidadãos angolanos na prática de crimes ou acções ilícitas. A maior parte dos documentos divulgados que envolvem Angola, enviados desde 2003, são peças noticiosas ou boletins informativos sobre a cotação diária, investimentos, licitações e produção de petróleo e outras matérias- primas de alto valor.
São também visíveis trocas de informações, como pedidos de números de telefone ou de acesso às elites locais, com o objectivo de apresentar propostas para a concretização de negócios, sobretudo antes de 2014, quando Angola registou as maiores taxas de crescimento da economia desde 1975.
Nos 200 e-mails divulgados até ao momento, Isabel dos Santos também é referida em várias comunicações, sobretudo em partilha de notícias relativas à sua riqueza pessoal e aos negócios em que estava envolvida. A determinada altura, em e-mails com data de 2013, uma terceira pessoa (não identificada), oferece-se a Jeffrey Epstein para servir de ponte para chegar a Isabel dos Santos, descrevendo a empresária angolana como sendo "hot" (bonita) e "smart" (esperta, atenta).
Também podem ser encontradas outras referências com ligação ao País, como é o caso do Banco Espírito Santo (BES) e do impacto da sua falência em Portugal, Angola e nos mercados financeiros em geral. Outra curiosidade está num catálogo de arte enviado a Epstein, com a indicação de compra de duas valiosas peças de origem angolana (cokwe, no caso), avaliadas em mais de 2.300 e 8.000 euros.
O caso de Jeffrey Epstein tem-se arrastado há largos anos, primeiro nos tribunais dos EUA (onde chegou a admitir a culpa nas acusações de financiamento à prostituição, incluindo menores de idade) e depois na imprensa e na arena política norte-americana e das elites globais. Hoje é um nome tóxico, que pode destruir a reputação de quem se relacionou com ele e as suas actividades.
Enquanto milionário, que deixou em testamento mais de 500 milhões USD e investidor, Epstein tinha acesso facilitado aos principais políticos, empresários, e estrelas mediáticas norte-americanas e de outras regiões, o que lhe garantiu um local proeminente de articulador de relações privilegiadas, jogadas promíscuas, festas estrondosas e negócios chorudos. No final de tudo, Esptein posicionava-se como um lobista de alto escalão, defensor das posições de Israel e das suas ligações a empresários e políticos, como estratégia de defesa e articulação internacional dos interesses daquele país.


