O economista Júlio Bessa defende a formalização urgente do transporte informal em Angola e considera que o diálogo permanente entre o Estado e os taxistas é fundamental para evitar greves e melhorar as condições de trabalho da classe.
O especialista falava esta terça-feira, 25 de Agosto, durante um workshop sobre o impacto socioeconómico do serviço de táxi em Angola, onde destacou o peso do sector informal na mobilidade da população.
Júlio Bessa afirmou que, dos 140 municípios que visitou, constatou que o transporte é feito maioritariamente por operadores informais, situação que, segundo o economista, deixa milhares de profissionais sem protecção social e seguros.
“Muitos deles se transportam sem seguros, não pagam a segurança social, acabam indo para a reforma sem uma pensão”, sublinhou.
Para o economista, os próprios operadores devem assumir um papel activo na sua integração no sistema de segurança social e na contratação de seguros, de modo a garantir protecção no futuro e tornar a actividade mais sustentável.
Júlio Bessa entende, entretanto, que a formalização deve contar com o apoio do Estado, através da criação de condições que permitam aos operadores legalizar a actividade sem comprometer a sua capacidade de rendimento.
A posição do economista surge numa altura em que os taxistas têm intensificado a pressão sobre as autoridades para a profissionalização e regulamentação da classe, reivindicações que incluem melhores condições de exercício da actividade e maior reconhecimento do seu contributo para a economia nacional.
Para o especialista, o diálogo entre as partes deve ser privilegiado como mecanismo para encontrar soluções para os problemas do sector e evitar que as divergências resultem em paralisações dos serviços de transporte.



