Economista e mentor de liderança, Mário Bragança destaca que apoiar pequenas e médias empresas é investir no futuro de Angola

O crescimento sustentável da economia angolana exige um compromisso firme e contínuo com o fortalecimento do sector privado nacional. Entre os principais motores dessa transformação estão as Pequenas e Médias Empresas (PME), que representam não apenas uma fonte vital de emprego e rendimento para milhões de angolanos, mas também um eixo de dinamização da produção nacional, da inovação e da diversificação económica. É com esse pensamento que o economista e mentor de liderança, Mário Bragança, reforçou que apoiar as PME não é uma opção estratégica – é uma necessidade inadiável para o futuro de Angola.
Mário Bragança, realçou que é encorajador constatar que o Banco Angolano de Investimentos (BAI), no seu Relatório e Contas de 2024, colocou as PME no centro da sua actuação estratégica. O documento reconhece que fomentar o crescimento e a formalização deste segmento empresarial é essencial para consolidar um modelo de desenvolvimento económico mais equilibrado, inclusivo e resiliente.
“A expansão da rede do BAI para mais de 700 agentes bancários em 124 municípios demonstra um compromisso real com a inclusão financeira. Esta presença descentralizada facilitou mais de 8,4 milhões de transacções em 2024, um crescimento expressivo de 28% face ao ano anterior. Trata-se de uma resposta clara às dificuldades de acesso enfrentadas por muitas PME, especialmente nas zonas rurais e periurbanas, onde o sistema financeiro ainda tem uma presença limitada”, disse.
A Direcção de Particulares e Negócios (DPN) do banco, conforme destacado na página 52 do relatório, tem desenvolvido um trabalho notável ao estabelecer pontes entre o sistema financeiro e o ecossistema empresarial local. A participação em fóruns comerciais e a colaboração com associações empresariais regionais têm permitido ao BAI desenvolver soluções financeiras ajustadas à realidade e aos desafios específicos das PME angolanas.
Para o economisra, é fundamental reconhecer que o apoio às PME vai além da concessão de crédito. Exige um ecossistema robusto que integre formação empresarial, acesso a tecnologia, apoio técnico, facilitação fiscal e segurança jurídica. As PME devem ser vistas como agentes de transformação territorial e social, com capacidade para gerar emprego local, reduzir assimetrias regionais e reforçar a coesão económica do país. Quando estas empresas prosperam, comunidades inteiras avançam com elas.
“Neste contexto, a estratégia do BAI revela-se particularmente pertinente. O investimento em tecnologia e infraestruturas digitais, bem como a contínua aposta na inovação dos serviços bancários, são elementos centrais para acelerar a modernização do tecido empresarial nacional. A inclusão de pequenas e médias empresas no sistema financeiro formal representa uma janela de oportunidade para a sua capitalização, profissionalização e integração nas cadeias de valor nacionais e internacionais”, sublinhou.
Contudo, o sucesso deste esforço não depende apenas das instituições financeiras. É urgente que o Estado, através de políticas públicas coordenadas e eficientes, complemente estas iniciativas com reformas estruturantes no ambiente de negócios. Reduzir a burocracia, assegurar maior previsibilidade regulatória, promover a educação empreendedora e criar mecanismos de financiamento acessíveis e sustentáveis são tarefas fundamentais para consolidar um verdadeiro ecossistema de apoio às PME.
Segundo Mário Bragança, “a história económica dos países que alcançaram um crescimento robusto e sustentável mostra-nos um padrão comum: o desenvolvimento de um sector empresarial dinâmico e diversificado, ancorado nas PME. O BAI, ao colocar este segmento como uma das suas prioridades, dá um sinal claro de visão estratégica. Que este exemplo sirva de inspiração e catalisador para um novo ciclo de desenvolvimento económico em Angola – mais inclusivo, mais descentralizado e mais próximo das reais necessidades do povo angolano”.



