Empresários pedem reforço da cadeia produtiva para reduzir dependência das importações

Os empresários angolanos defenderam o reforço da cadeia produtiva nacional como condição fundamental para reduzir a dependência das importações e garantir o cumprimento das novas medidas aprovadas pelo Executivo para dinamizar a produção interna.
A posição foi manifestada durante a reunião entre a Equipa Económica do Executivo e o Grupo Técnico Empresarial (GTE), realizada esta quarta-feira, em Luanda, no âmbito do novo modelo de concertação económica entre o Governo e o sector privado.
Em análise esteve o Decreto Executivo n.º 130/26, de 27 de Maio, que determina que os importadores passem a adquirir no mercado nacional pelo menos 20 por cento dos produtos que pretendem importar, abrangendo produtos como carnes suína e de aves, arroz branqueado, açúcar refinado e tilápia.
O coordenador do Grupo Técnico Empresarial, Manuel Sumbula, considerou que a medida poderá contribuir para fortalecer a produção nacional, estimular novos investimentos e reduzir a dependência externa, mas alertou para os constrangimentos que ainda limitam a capacidade produtiva do país.
Segundo o responsável, um dos maiores desafios está relacionado com o sector avícola, onde persistem dificuldades ligadas ao abate e processamento de frango devido à insuficiência de matadouros e unidades de transformação.
Manuel Sumbula defendeu, por isso, a criação de mais infraestruturas de apoio à produção, considerando que o país precisa de reforçar toda a cadeia de valor para responder às exigências do mercado e aproveitar as oportunidades abertas pelo novo decreto.
“Precisamos de ter matadouros locais e distribuídos por várias regiões para potenciar o abate e processamento da produção nacional”, sublinhou.
Os empresários entendem que o reforço das infraestruturas produtivas permitirá aumentar a oferta interna, gerar empregos e criar condições para uma maior substituição das importações por produtos fabricados em Angola.
Em resposta às preocupações do sector privado, a Equipa Económica do Executivo reiterou que a criação destas infraestruturas deve resultar da iniciativa empresarial, cabendo ao Governo continuar a assegurar um ambiente favorável ao investimento e ao crescimento da actividade económica.
A reunião serviu ainda para reforçar o diálogo entre o Executivo e os empresários, num momento em que o país procura acelerar a diversificação da economia e fortalecer a produção nacional como alternativa sustentável às importações.


