Especialistas debatem sector petrolífero: “Em cada dólar que é investido no sector, quanto é que fica aqui em Angola?”

Gestores e especialistas defenderam esta Sexta-feira, no Angola Economic Fórum (AEF2025) “maior valorização” do conteúdo local para potenciar a indústria petrolífera nacional, que gera anualmente biliões de dólares, mas grande parte das receitas não ficam no país.
Mais atenção às empresas locais foi igualmente defendida por Jorge Morais, director-geral da KAESO Energy Service (empresa angolana prestadora de serviço no sector petrolífero), referindo que o conteúdo local no sector petrolífero representa apenas 2 por cento por “falta de confiança” dos clientes.
“Os nossos clientes potenciais, que são as empresas estrangeiras, operadores internacionais, prestadores de serviços internacionais, não confiam na nossa capacidade e qualidade de trabalho, porque, simplesmente, quem tem o dever de ter certeza de que quem opera neste sedtor são empresas qualificadas, não o faz”, criticou, aludindo às medidas e normas governamentais.
“Todo mundo entra. Resultado? Temos uma reputação péssima e não confiam em nós”, criticou Jorge Morais.
Por sua vez, a especialista em contratos comerciais Oil & Gas, Yolanda Ramos, defendeu, na sua intervenção, que o petróleo não deve ser visto como uma bênção ou maldição em Angola, mas na perspectiva de como foi a sua gestão em meio século de independência
“Talvez o nosso foco seria a forma como foi gerida, a atenção que se deu à criação [da indústria petrolífera], da cadeia de valores, desde a extração à produção, refinação, sua distribuição, o conteúdo local, valorização do capital humanos, que é um tema sempre actual”, assinalou.



