Especialistas em economia defenderam, na quarta-feira, em Luanda, o reforço do controlo das despesas públicas, apesar da evolução favorável do quadro macroeconómico de Angola, reflectida na melhoria de alguns dos principais indicadores do país, entre os quais a redução da inflação para 9,33% em Julho, abaixo dos dois dígitos.
A posição foi defendida, quarta-feira, em Luanda, pelos economistas Filomeno Vieira Lopes, Carlos Rosado e Daniel Sapateiro, durante uma Conferência sobre o Estado da Economia em Angola.
Os especialistas convergiram na ideia de que a melhoria dos indicadores macroeconómicos, incluindo o controlo da dívida pública, actualmente estimada em cerca de 51% do Produto Interno Bruto (PIB), não significa que os principais problemas económicos e sociais do país estejam ultrapassados.
Para Daniel Sapateiro, os avanços registados, que contribuíram igualmente para a estabilidade do mercado cambial, não devem fazer esquecer os desafios que continuam a pressionar as contas públicas, sobretudo os elevados custos associados aos subsídios aos combustíveis.
Segundo o economista, em apenas seis meses, a importação de produtos refinados de petróleo terá representado um custo adicional de cerca de 1,7 mil milhões de kwanzas para o Estado.
“O Estado deve reduzir despesas em áreas que não comprometam o sector produtivo nacional, criando margem para manter os preços dos combustíveis dentro de níveis socialmente suportáveis”, defendeu.
Por sua vez, Carlos Rosado de Carvalho destacou a necessidade de reconhecer que Angola continua a enfrentar problemas estruturais que se mantêm há vários anos.
“A próxima etapa deve passar por reformas estruturais profundas, ainda que algumas delas possam ter custos sociais no curto prazo”, considerou.
Já Filomeno Vieira Lopes defendeu que uma política económica só pode ser considerada verdadeiramente bem-sucedida quando se traduz em melhorias concretas no bem-estar das famílias.
Segundo o economista, apesar do crescimento registado pela economia, Angola continua a enfrentar níveis elevados de pobreza, fome, desemprego e informalidade.
Filomeno Vieira Lopes apontou para uma taxa de desemprego superior a 22%, salientando que cerca de 80% dos desempregados estão ligados ao sector informal e que a maioria é constituída por jovens.



