Especialistas defendem maior inclusão feminina

Especialistas angolanos e estrangeiros defenderam a adopção de políticas públicas, parcerias estratégicas e soluções tecnológicas para aumentar a participação das mulheres na aviação.
A posição foi apresentada por três especialistas, durante o painel subordinado ao tema "Os desafios e oportunidades da igualdade de género no sector da Aviação", à margem do segundo dia da 3.ª ICAO Global Aviation Gender Summit. Durante o debate, os participantes apresentaram propostas para a criação de um portal integrado que vai reunir organizadores de formação aeronáutica, reguladores, dos aeroportos, universidades, escolas e empresas do sector da Aviação civil , que vão orientar as mulheres, para as diversas carreiras existentes na aviação civil. Para a presidente do Conselho de Administração da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) de Portugal, Ana Vieira da Mata, a plataforma, apoiada por inteligência artificial, terá como principal objectivo identificar os interesses, competências e desafios dos candidatos, ligando-os a programas de mentoria e oportunidades de formação. Na sua intervenção, o representante da UNESCO, Rovani Sigamoney , destacou que os desafios no ramo da aviação não passam apenas por atrair as mulheres para o sector da Aviação, mas por transformar a indústria aeronáutica num ambiente mais inclusivo e acolhedor para todos. O responsável acrescentou, ainda, que é necessário reforçar a ligação entre a educação nas áreas das Ciências e Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) e o sector aeronáutico, para as meninas se sentirem motivadas para seguir o ramo da aviação civil. Rovani Sigamoney salientou, também, que as mulheres tendem a identificar-se com profissões que geram impacto social, defendeu que a aviação deve ser apresentada como um sector que promove a mobilidade, desenvolvimento económico, a resposta a emergências e a inovação sustentável. Por sua vez, a presidente do Conselho de Administração da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), Amélia Kuvíngua, afirmou que os desafios enfrentados pelos países africanos diferem dos de outras regiões, devido às barreiras culturais que ainda condicionam a participação feminina em profissões tradicionalmente dominadas por homens. Amélia Kuvíngua defendeu a necessidade de tornar visíveis as diversas carreiras existentes no sector, além das funções de piloto e tripulante de cabine, criando incentivos que despertem o interesse das mulheres por áreas como manutenção de aeronaves, engenharia, gestão aeroportuária e navegação aérea. A responsável destacou que Angola dispõe de um importante potencial humano, lembrando que cerca de 51 por cento da população é constituída por mulheres e que aproximadamente 60 por cento dos habitantes têm menos de 24 anos, factores que, que representam uma oportunidade para reforçar a presença feminina na aviação.


