Executivo reforça apoio à produção nacional como dever de soberania

Luanda - O Executivo reafirmou o compromisso de continuar a apoiar a produção nacional, por se tratar de uma questão de soberania e de uma via essencial para garantir empregos, reduzir a dependência externa e promover o crescimento económico sustentável.
A afirmação foi feita, esta sexta-feira, pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, ao balancear a reunião que manteve com operadores instalados na Zona Económica Especial (ZEE), na província de Icolo e Bengo.
José de Lima Massano, que visitou algumas unidades fabris na ZEE, sublinhou que o país já demonstrou ter capacidade produtiva em vários domínios e o Executivo vai continuar a proteger os sectores estratégicos.
“O Governo vai continuar, de forma destemida, a apoiar a produção nacional. Onde houver capacidade e proteger significa condicionar importações, não vamos hesitar”, declarou.
Destacou igualmente o desempenho económico registado, em 2024, com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,4 por cento, o mais elevado dos últimos dez anos, impulsionado pelo sector não petrolífero.
No primeiro trimestre de 2025, o sector não petrolífero cresceu acima dos cinco por cento, sinalizando um caminho de diversificação gradual da economia, enfatizou.
Apesar dos avanços, o Executivo reconhece que persistem dificuldades, nomeadamente a fraca articulação entre os produtores do sector primário e a indústria transformadora.
“Temos quem produza matéria-prima sem saber o que fazer com ela, enquanto outros continuam a importar o que o país já produz. Esta desconexão tem de ser ultrapassada”, afirmou.
Neste sentido, o ministro de Estado apelou à reorganização das associações empresariais, com vista a facilitar o diálogo entre operadores e reforçar a coordenação nas cadeias produtivas.
A informação estatística foi apontada como um dos principais desafios por José Massano, afirmando que “quem produz tem de dizer o que está a produzir. O país tem de saber que aquele bem existe e está disponível. Temos de superar o receio de mostrar o que fazemos”.
Vários empresários ouvidos durante a reunião relataram dificuldades com matérias-primas, licenciamento e prazos de fornecimento.
Também foi mencionada a preocupação com práticas especulativas em certos segmentos do sector primário, tendo o Executivo garantido que vai continuar a actuar, do ponto de vista regulatório, para evitar distorções no mercado.
“Queremos sustentabilidade e negócios com rentabilidade, mas não vamos permitir práticas que prejudiquem o consumidor e o equilíbrio do mercado”, sustentou.
Na sua visita, José de Lima Massano constatou haver sinais de retoma industrial e expansão, com unidades, antes paralisadas, já a operar, algumas no limite da sua capacidade, com planos de ampliação em curso.
Na ZEE estão em curso investimentos em infra-estruturas de apoio, incluindo fornecimento de mais energia e água, para permitir a instalação de novas empresas e atrair mais operadores nacionais e estrangeiros.
O ministro de Estado reiterou a confiança do Executivo no empresariado angolano e na capacidade produtiva do país, assumindo como missão o apoio contínuo à produção interna como via para gerar emprego, garantir autonomia e consolidar o desenvolvimento.
Sublinhou que o Executivo vai continuar a mediar e facilitar o processo, dando mais força às associações empresariais, apostar mais na melhoria de todo ambiente de negócio e primar pela produção nacional, por se tratar de uma questão de soberania, porque o país não pode ficar tão dependente na produção de bens essenciais.
A ZEE integra 287 projectos, dos quais 95 estão totalmente operacionais, 99 em implementação e 33 paralisados, sendo que os que estão a operar representam um volume de investimento de cerca de 1,6 mil milhões de dólares, tendo sido possível gerar mais de 19 mil postos de trabalho.
Entre os projectos, estão 160 no sector industrial, 36 no comércio, 31 nos serviços, 34 na construção, oito nos automóveis, cinco na electrónica e equipamentos, quatro na madeira e mobiliário, quatro no têxtil e vestuário, dois na indústria extractiva, dois no papel e gráfica e um em energia.
Quanto aos 99 novos projectos em implementação, até a sua maturação, vão representar um volume de investimentos de 3,6 mil milhões de dólares, contemplando as áreas de serviços, automóvel, metalúrgica, comércio, construção civil, têxtil, indústria de plástico e electrónica e equipamentos.


