A I edição do Dia do Campo, realizada neste sábado, 15 de Agosto do corrente ano, na Fazenda Cambondo, município da Quibala, na província do Cuanza-Sul, mostrou indicadores que o Estado deve criar políticas de apoio ao sector Agro-pecuário, visando elevar os níveis de produção nacional, para garantir a segurança alimentar às populações, mas também criar premissas para alavancar as exportações.
A posição foi defendida durante o fórum que reuniu especialistas, produtores, instituições e parceiros estratégicos para promover o desenvolvimento da agricultura nacional e sistemas agro-alimentares mais resilientes e modernos, numa iniciativa do Ministério da Agricultura e Florestas.
O evento que decorreu sob o lema “Acelerando a reconversão dos sistemas agrícolas, em agroalimentos”, identificou debilidades que enfermam o sector Agrícola no país, sobretudo no deficiente apoio aos produtores, mas também da necessidade da capacitação técnica e tecnológica de quadros ligados ao sector, e dos produtores.
Assim, durante os encontros temáticos foram debatidos questões transversais que comprometem a produção e produtividade, como a necessidade de corecção de solos, face à acidez que muitos solos apresentam, e a falta de financiamento aos micro e pequenos produtores.
Entre os objectivos pretendidos, o Dia do Campo foi marcado pela promoção do intercâmbio de conhecimentos técnicos e fomentar parcerias comerciais, visando incentivar os produtores, empresas de insumos e instituições financeiras, e partilha de conhecimentos entre empresários nacionais e dos países com maior vocação no ramo agro-alimentar, como Barsil, China, Índia, Haiti, Bolívia e Portugal.
Outros momentos marcantes do Dia do Campo incidiu na demonstração de técnicas agrícolas modernas e práticas de mecanização, exposição de equipamentos, máquinas e tecnologias agrárias para aumentar a produtividade, promover parcerias comerciais e intercâmbio de conhecimentos técnicos entre produtores, fornecedores de insumos, instituições financeiras e outros intervenientes do sector, e debate de temas como transição energética, mercado de créditos de carbono, biocombustíveis e combustíveis sustentáveis para aviação, ampliando o conhecimento sobre soluções sustentáveis para a agricultura.
Demonstrações práticas de correcção de solos e mecanização agrícola e feira de produtos e tecnologias agrárias, permitindo aos participantes conhecer soluções tecnológicas para modernização da produção, debates e conferências sobre inovação, sustentabilidade e oportunidades de investimento no sector Agro-alimentar, foram outros temas da I edição do Dia do Campo, realizado na Fazenda Cambondo.
Encontro identificou debilidades que assolam o sector Agrícola local
FORTALECER PARCERIAS
Os empresários estrangeiros participantes do evento elogiaram a iniciativa, que consideraram ser uma plataforma de intercâmbio que pode fortalecer parcerias para proporcionar a cadeia produtiva no sector Agro-alimentar.
Por exemplo, o empresário Rui Santos, representante da empresa Munagri, vocacionada na instalação de sistemas de irrigação e filtragem de água para a rega e montagem de bombas hidráulicas, considerou positiva a realização do Dia do Campo na Quibala.
Já o representante da Empresa Chinesa Triana Business, que se dedica à instalação de vídeo-vigilância, rega e pulverização, através de sistemas de drones, Anuar Daia, louvou igualmente a iniciativa, que considerou a porta aberta para o estabelecimento de parcerias com empresas angolanas.
Rui Santos, da Empresa Munagri
NECESSIDADE DA FORMAÇÃO DE TÉCNICOS AGRÍCOLAS ESPECIALIZADOS
Durante a apresentação da realidade constatada na região, o director-geral da Fazenda Cambondo, Gerson Lopes, defendeu a necessidade de o Executivo, através do departamento ministerial, apostar cada vez mais na formação contínua de técnicos agrícolas especializados e no apoio aos pequenos, médios e grandes produtores, como forma de responder às necessidades do mercado local e nacional.
Gerson Lopes salientou que a iniciativa do Dia do Campo constitui uma oportunidade para promover o conhecimento, a inovação e a valorização da produção nacional, sublinhando que a realização do evento representa igualmente uma oportunidade para empresários, produtores, fornecedores e investigadores na partilha da mesma visão sobre o presente e o futuro da agricultura em Angola.
Referiu que com trabalho e união de todos os intervenientes ao sector Agro-pecuário é possível produzir com qualidade, que passa por investir em tecnologias e contribuir para o desenvolvimento económico e social do país.
Na abertura do evento, o governador provincial do Cuanza-Sul, Eugénio Laborinho, realçou o potencial agrícola da província, salientando que com apoio técnico e financeiro, o Cuanza-Sul pode constituir-se num celeiro a nível nacional, e incetivou o Ministério da Agricultura e Florestas, no sentido de continuar a realizar iniciativas regulares do género, como forma de criar premissas para uma agricultura sustentável no país. “Temos um potencial imenso em terras, água, clima favorável, conhecimento tradicional e mão-de-obra, que deve ser associado aos desafios actuais do sector, sobretudo os relacionados com a transformação da produção.
Governador, Eugénio Laborinho
Por seu turno, o ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, mostrou-se satisfeito pela realização do evento, e incentivou os produtores a engajarem-se na produção, e os empresários ligados ao sector, com o fim único de criar um ambiente favorável para mais produção, transformação, e reduzir as importações, e lançou o apelo no sentido de se estabelecer uma cadeia entre produtores, empresários e a banca, para que haja sustentabilidade das intenções e projectos agrícolas no país. &



