A inflação em Angola manteve, em Agosto, a trajectória de desaceleração, ao fixar-se em 8,78% em termos homólogos, segundo dados do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A taxa representa uma redução de 0,55 pontos percentuais face à registada em Julho e de 10,09 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025, confirmando o abrandamento do ritmo de crescimento geral dos preços.
Apesar da tendência de desaceleração, os preços de bens e serviços considerados essenciais continuam a registar aumentos, mantendo a pressão sobre o orçamento das famílias. Entre os sectores com maior variação destaca-se a educação, que registou uma subida homóloga de 19,33%.
Os dados mostram, assim, que a desaceleração da inflação não significa necessariamente uma redução dos preços. Na prática, os preços continuam a aumentar, embora a um ritmo inferior ao verificado anteriormente, o que mantém desafios para as famílias, sobretudo para aquelas com menor capacidade financeira.
A inflação acumulada nos primeiros oito meses do ano situou-se em 4,81%, de acordo com o INE, mantendo a trajectória de abrandamento observada nos últimos meses.
O comportamento dos preços dos bens e serviços essenciais continua, entretanto, a ser uma das principais preocupações das famílias, numa altura em que a evolução do rendimento disponível permanece determinante para a capacidade de fazer face às despesas correntes.
Especialistas em economia defendem que a desaceleração da inflação deve ser acompanhada por medidas capazes de melhorar efectivamente o poder de compra das famílias, uma vez que a redução do ritmo de crescimento dos preços não representa, por si só, uma diminuição do custo de vida.
A evolução da inflação deverá continuar a ser acompanhada pelas autoridades económicas, sobretudo tendo em conta o impacto dos preços dos produtos e serviços essenciais sobre o rendimento das famílias e sobre a actividade económica.



