A ligação aérea directa entre Angola e Guangzhou está a abrir novas perspectivas para o turismo nacional, mas os operadores consideram que o aproveitamento económico desta conectividade dependerá da capacidade do sector em transformar a nova rota em produtos turísticos competitivos e ajustados às características do mercado chinês.
A questão foi levantada ontem, em Luanda, durante um workshop sobre turismo, que reuniu operadores turísticos, agências de viagens, empresas angolanas e representantes de empresas chinesas estabelecidas no país.
O encontro analisou formas de aproveitar a aproximação entre os dois mercados para aumentar o fluxo de visitantes chineses e, ao mesmo tempo, estimular o turismo interno, através da promoção de destinos e serviços turísticos nacionais.
O vice-presidente da Câmara de Comércio Angola-China, Emanuel Miguel, considerou que a existência de uma ligação directa com Guangzhou representa uma oportunidade para aumentar a entrada de cidadãos chineses em Angola, incluindo potenciais turistas.
“Temos agora um voo a fazer esta rota e devemos congratular-nos com esta decisão, porque podemos contar com mais visitantes para Angola, que poderão tornar-se potenciais turistas”, afirmou.
Para o responsável, o país dispõe de destinos com potencial para receber turistas estrangeiros, mas a oferta ainda precisa de maior divulgação e organização comercial para alcançar novos mercados.
Defendeu, neste sentido, uma maior promoção dos destinos angolanos junto dos parceiros chineses, através da disponibilização de informação sobre os locais turísticos, serviços, experiências e condições de visita existentes no país.
A intenção é fazer com que a ligação aérea deixe de servir predominantemente as deslocações de natureza empresarial e comercial e passe também a gerar maior procura turística, com impacto directo sobre hotéis, agências de viagens, transportadoras, restauração e outros serviços associados à actividade.
Pacotes para o mercado chinês
A presidente da Associação das Agências de Viagens e Operadores Turísticos de Angola (AAVOTA), Catarina Oliveira, defendeu que os operadores nacionais devem assumir um papel mais activo na transformação da nova conectividade aérea em oportunidades comerciais.
Apesar da forte relação económica entre Angola e a China, marcada sobretudo pelo comércio e pelo investimento, a responsável considera que existe margem para aumentar significativamente o turismo de lazer entre os dois países.
“Nada melhor do que os nossos operadores e agências de viagens tentarem capitalizar esta oportunidade e atrair uma parte dessa população para visitar Angola”, sustentou.
Para a responsável, uma das prioridades passa pela criação de pacotes turísticos específicos para visitantes chineses, combinando transporte, alojamento, alimentação, visitas a locais turísticos e outras experiências num único produto.
A estratégia, observou, poderá começar também pelos cidadãos chineses residentes em Angola, incentivando-os a conhecer os destinos nacionais e a tornarem-se, posteriormente, potenciais divulgadores da oferta turística angolana junto de familiares, amigos e parceiros no país de origem.



