
Angola perdeu esta sexta-feira um dos seus diplomatas mais experientes. Manuel Domingos Augusto, antigo Ministro das Relações Externas e Secretário do Bureau Político do MPLA para as Relações Internacionais, morreu em Luanda, vítima de doença. Tinha 68 anos.
Nascido a 2 de Setembro de 1957 na capital angolana, construiu uma carreira que atravessou o jornalismo, a diplomacia e a política durante mais de três décadas. A sua trajectória confunde-se com momentos decisivos da história contemporânea de Angola — dos anos imediatos ao fim do conflito armado à consolidação do papel do país na cena regional e continental africana.
A sua entrada na diplomacia deu-se nos anos 1990, quando chefiou a primeira Missão Diplomática Angolana na África do Sul, entre 1992 e 1994, num momento em que o país vizinho saía do apartheid e Angola procurava novos alinhamentos regionais. Seguiram-se as embaixadas na Zâmbia e na Etiópia, dois postos estratégicos no xadrez da política africana. Em 2010, já como Secretário de Estado das Relações Externas, tornou-se um dos principais artífices da diplomacia angolana.
A nomeação para Ministro das Relações Externas, em 2017, sob o governo de João Lourenço, coroou uma carreira forjada no terreno e nas salas de negociação internacionais. Após deixar o executivo em 2020, manteve-se no centro da política externa como Secretário do Bureau Político do MPLA para as Relações Internacionais, cargo que ocupava à data da morte.
As reacções à sua morte não tardaram. O Presidente da República, João Lourenço, considerou que “Angola perde um filho que dedicou o melhor do seu tempo e da sua vida à defesa dos superiores interesses do povo, tendo ocupado cargos relevantes no aparelho do Estado, com realce para a pasta das Relações Exteriores”. “Deixa-nos precocemente um quadro talhado para a mais elevada e refinada performance no cumprimento do dever, que tinha ainda muito para dar como servidor público, homem de Estado e patriota convicto”, frisou. 
A Assembleia Nacional, em mensagem assinada pelo seu presidente, Adão Francisco Correia de Almeida, sublinhou que Manuel Domingos Augusto protagonizou uma trajectória de elevado mérito, marcada pela dedicação ao serviço público e pela defesa dos interesses nacionais, considerando que a sua morte representa uma perda significativa para o país, para o Parlamento Pan-Africano e para a União Parlamentar Africana. 
O Ministério das Relações Externas enalteceu as qualidades humanas e profissionais do diplomata, sublinhando que “a sua memória permanecerá como exemplo de dedicação, integridade e patriotismo”.  O Secretariado Nacional da JMPLA, por sua vez, afirmou que “Manuel Domingos Augusto parte fisicamente, mas permanece vivo na história da diplomacia angolana, na memória do Partido e no reconhecimento de uma Nação grata pelo seu contributo”. 


