O mercado angolano consolida-se como um dos pilares estratégicos do grupo Mota-Engil, representando 16 por cento da carteira total de Engenharia e Construcção da empresa portuguesa, posição que o coloca como o segundo mercado mais relevante do grupo, apenas superado pelo México, segundo dados constantes do comunicado que a Mota-Engil, co-dirigida por Carlos Mota Santos, divulgou junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, relativamente ao primeiro semestre do corrente ano.
O desempenho registado em Angola surge num contexto em que a carteira de encomendas do grupo atingiu, até Junho, o valor recorde de 17,7 mil milhões de euros, o mais elevado de sempre na história da Mota-Engil, inserindo-se o mercado angolano no conjunto que a empresa designa por “mercados core”, os quais representam, no seu conjunto, 75 por cento da carteira global de Engenharia e Construcção.
Para além de Angola, integram este grupo restrito o México (21 por cento), o Brasil (14 por cento), Portugal (12 por cento), a Nigéria (7 por cento), Moçambique (3 por cento) e o Peru (2 por cento).
A ligação da Mota-Engil a Angola remonta, de resto, à própria fundação do grupo: em Junho de 1946, no mesmo mês em que Manuel António da Mota constituiu, em Amarante, a Mota & Companhia, foi aberta uma sucursal em Cabinda, então dedicada à exploração e transformação de madeiras, alargando a partir de 1948 a sua actividade às obras públicas e à construção civil — sector em que a empresa se notabilizaria com a construção do Aeroporto de Luanda, em 1952.
Já em 2010, o grupo reforçou a sua presença no país através da constituição da Mota-Engil Angola, sociedade de direito angolano de que fazem parte, além da própria Mota-Engil, a petrolífera Sonangol e outros accionistas nacionais. Ao longo destas décadas, a empresa foi responsável por algumas das obras mais emblemáticas do território angolano, entre as quais se contam a requalificação da Baía de Luanda, a Ponte 4 de Abril, na Catumbela, e diversas estradas e barragens espalhadas pelo País.
Entre os projectos mais recentes destaca-se a construção da nova Marginal da Corimba, em Luanda, cuja primeira fase, orçada em 245,2 milhões de euros, é financiada através de linha de crédito disponibilizada por Portugal e prevê a edificação de milhares de casas sociais destinadas ao realojamento das famílias afectadas.
A Mota-Engil integra ainda o consórcio, liderado pela Corporación América Airports, a quem foi atribuída a concessão, por 25 anos, da gestão do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, e assumiu recentemente, através da Mota-Engil África, a exploração do troço do Corredor do Lobito entre Dilolo e Sakania, já em território da República Democrática do Congo, no âmbito de uma parceria público-privada de 30 anos avaliada em 1.800 milhões de dólares.
Refira-se que o crescimento verificado no volume de negócios do grupo — que ascendeu a 2.898 milhões de euros no primeiro semestre — foi, de acordo com a nota divulgada, impulsionado pelo desempenho registado em todos os segmentos de actividade, com particular destaque para um maior contributo proveniente de África e da América Latina, região em que se insere justamente o mercado angolano.
O EBITDA do grupo cresceu 10 por cento, fixando-se em 487 milhões de euros, ao passo que o resultado líquido se situou em 74 milhões de euros, traduzindo um aumento de 24 por cento face ao período homólogo do ano transacto.
A Mota-Engil sublinha, por fim, que, mantendo o critério de selectividade nos mercados geográficos e nos segmentos de negócio em que actua, logrou registar o semestre com o maior nível de angariação comercial de que há memória, num total de 4,1 mil milhões de euros angariados — mais do dobro dos 1,7 mil milhões de euros angariados no período homólogo de 2025.



