A interrupção geral das comunicações na operadora Unitel gerou terça-feira inúmeros constrangimentos a milhões de utilizadores em todo o país.
As repercussões do “apagão” — atribuído oficialmente pela empresa a um ataque cibernético — afectaram gravemente cidadãos, empresas e instituições públicas e privadas, que ficaram impossibilitados de efectuar serviços básicos e transacções comerciais. Até ao final da tarde de ontem, o sinal, interrompido na madrugada, continuava sem previsão de restabelecimento, forçando milhares de cidadãos e negócios a darem o dia de trabalho como perdido devido à paralisia digital. De acordo com o economista Paulo Forquilha, o incidente vai muito além de uma falha técnica comum, por ter sido generalizado e ter paralisado um sector estratégico e crítico da economia nacional. “A Unitel continua a ser a maior operadora móvel do país, suportando as comunicações de famílias, bancos, comércio electrónico e serviços públicos. Quando uma empresa desta dimensão sofre uma indisponibilidade de nível nacional, o impacto deixa de ser apenas empresarial e assume proporções económicas e sociais severas”, alertou o especialista. Do ponto de vista comercial, milhares de empresas ficaram impedidas de facturar, comunicar com clientes, coordenar operações logísticas ou efectuar pagamentos electrónicos. No sector financeiro, os serviços bancários digitais, aplicações de pagamento, plataformas de e-commerce e a própria carteira digital Unitel Money sofreram fortes constrangimentos, travando a circulação normal de capitais. O economista lembrou ainda que, com o seu processo de dispersão de capital e entrada em bolsa, a operadora passou a estar sob maior escrutínio dos investidores e do mercado regulado. “Uma empresa cotada na Bolsa de Valores não vende apenas serviços de voz e dados, vende confiança. Incidentes desta magnitude exigem respostas rápidas e investimentos robustos em cibersegurança para salvaguardar o valor de mercado da instituição”, concluiu. ConstrangimentosA empresária Rosana Domingos, com sete anos de experiência no mercado, relatou que a falha na rede da Unitel causou prejuízos significativos, afectando sobretudo as empresas de entregas e o funcionamento dos Terminais de Pagamento Automático (TPA). O impacto também foi sentido no jornalismo. Leal Mundunde, editor de um portal de notícias, explicou que as dificuldades de comunicação com colegas e fontes comprometeram a sua actividade profissional. Além disso, a plataforma registou uma queda acentuada de visualizações, já que o público depende directamente da internet para aceder aos conteúdos. Moçâmedes Augusto Haimbile, residente em Moçâmedes, na província do Namibe, relatou que a falha no sinal da Unitel o impediu de desempenhar as suas funções normais. Por depender directamente da internet da operadora para trabalhar, o apagão causou-lhe atrasos e prejuízos. O cenário repetiu-se no sector comercial, onde vários lojistas relataram dificuldades para utilizar os Terminais de Pagamento Automático (TPA) e contactar fornecedores, o que travou o atendimento aos clientes e provocou uma quebra nas vendas. HuílaNo Lubango, Cesaltina Afonso, funcionária de um estabelecimento comercial, contou que a preocupação começou logo às 7h00, ao notar que o telefone permanecia mudo. Sem conseguir fazer chamadas, pensou que o aparelho estava avariado e comprou imediatamente um novo telefone. “Só horas depois percebi que todos os telemóveis com cartão da Unitel estavam mudos”, revelou. Benguela Os moradores de Benguela relataram que a quebra no sinal da Unitel, além de isolar famílias, afectou gravemente os pequenos negócios locais que sustentam muitos lares. O empresário António Noé explicou que o apagão prejudicou directamente quem depende das chamadas telefónicas para trabalhar. Já a cidadã Conceição Pedro defendeu a urgência de as autoridades reforçarem as acções de segurança para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer. CabindaO “apagão” nas comunicações da Unitel, que começou na madrugada de ontem, está a causar fortes constrangimentos à vida social e económica das famílias e empresas em Cabinda. Ouvidos pelo Jornal de Angola, vários moradores foram unânimes em afirmar que a falha paralisa o comércio, já que muitos dependem exclusivamente do sinal telefónico para trabalhar. Rita Pemba, moradora do bairro Tafe, na cidade de Cabinda, relatou que vende roupas e calçado através das redes sociais e, devido à falta de sinal, não conseguiu realizar uma única venda. Prejudicada pelo incidente, ela aproveitou a ocasião para apelar à entrada da operadora Africell na província, como uma alternativa para evitar novos bloqueios. HuamboPara Maurício Jamba, morador do bairro Cidade Baixa, os prejuízos foram imensos. O cidadão lamentou, sobretudo, a perda de contacto com os seus clientes. “Tinha uma compra de material agendada para hoje, mas não se concretizou porque não consegui falar com o vendedor”, relatou. O morador acrescentou ainda que o apagão serve de alerta para a necessidade de se criarem contramedidas que atenuem situações semelhantes no futuro.




