Moçambique torna-se membro fundador da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial

Moçambique assinou, em Shanghai, República Popular da China, o Acordo sobre o Estabelecimento da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (World AI Cooperation Organization), tornando-se um dos 29 Estados-membros fundadores desta nova organização internacional dedicada à promoção da cooperação global em matéria de inteligência artificial (IA).
Entre os países signatários destacam-se África do Sul, Argélia, Brasil, Belarus, Cazaquistão, China, Cuba, Etiópia, Lesoto, Malawi, Moçambique, Quénia, Rússia e Venezuela, entre outros, que reafirmaram o compromisso de fortalecer a cooperação internacional para o desenvolvimento responsável da inteligência artificial.
O acordo estabelece como principais objetivos a promoção de uma abordagem centrada no ser humano, incentivando a inovação, o desenvolvimento, a implementação e a utilização da inteligência artificial para o benefício de todos.
Visa igualmente expandir a cooperação internacional no domínio da IA, promover um ambiente aberto, equitativo, justo e não discriminatório para o seu desenvolvimento, reduzir o fosso digital nesta área, aumentar a acessibilidade às tecnologias e serviços de IA e reforçar a cooperação internacional na mitigação dos riscos e desafios decorrentes do avanço desta tecnologia, promovendo uma inteligência artificial segura, ética, fiável e responsável.
À margem da cerimónia de assinatura que decorreu, de 17 de Julho, a Conferência Mundial de Inteligência Artificial 2026 (World Artificial Intelligence Conference – WAIC 2026) e a Reunião de Alto Nível sobre a Governação Global da Inteligência Artificial, reunindo líderes políticos, representantes de organizações internacionais, especialistas e decisores de diversos países.
Na sessão de abertura, o Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, defendeu o reforço da cooperação multilateral, a promoção do código aberto e a ampliação do acesso dos países em desenvolvimento às novas tecnologias.
O estadista criticou o uso excessivo do conceito de segurança nacional para justificar restrições à circulação internacional de tecnologias, afirmando que tais barreiras aprofundam as desigualdades tecnológicas e limitam o desenvolvimento económico dos países do Sul Global.
Defendeu, igualmente, que a inteligência artificial deve ser encarada como uma oportunidade coletiva para o desenvolvimento comum e não como instrumento de aprofundamento de relações de dependência.
Na ocasião, Xi Jinping anunciou que a China irá reforçar o apoio aos países em desenvolvimento na construção das suas capacidades em inteligência artificial.
Entre as iniciativas apresentadas destacam-se a disponibilização de cinco mil oportunidades de formação e seminários em IA ao longo dos próximos cinco anos, o estabelecimento de centros internacionais de cooperação tecnológica e de iniciativas conjuntas com os BRICS, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a União Africana e países da América Latina, bem como a disponibilização de sistemas de inteligência artificial aplicados à meteorologia para cerca de 30 países, visando melhorar os sistemas de alerta precoce para eventos climáticos extremos e desastres naturais.


