Morosidade trava apoios do Governo às empresas afectadas pelas cheias em Benguela

O programa foi criado para apoiar a reposição dos activos produtivos, reforçar a liquidez das empresas e reduzir o risco de encerramento dos negócios afectados pelas inundações. Contudo, empresários denunciam que a demora nos procedimentos administrativos está a atrasar a chegada dos recursos numa fase considerada decisiva para a retoma da actividade económica.
Apesar de mais de 20 operações de crédito já terem sido aprovadas, no valor superior a 4,3 mil milhões de kwanzas, os desembolsos ainda não foram efectuados. Dos 246 pedidos apresentados ao BPC, 202 processos permanecem em análise, aguardando validação documental e vistorias aos empreendimentos afectados.
O empresário Jamir Baptista afirma que a morosidade do processo tem comprometido a capacidade operacional das empresas, obrigando os proprietários a dividir os poucos recursos disponíveis entre a reposição de equipamentos e a aquisição de matérias-primas perdidas durante a calamidade.
Para o advogado Tchipilica Eduardo, que acompanha alguns processos de assistência, a situação é preocupante, tendo em conta que os prejuízos causados pelas cheias ultrapassam os valores disponibilizados pela linha de financiamento.
Segundo o jurista, a demora na libertação dos créditos agrava as dificuldades enfrentadas pelos empresários, muitos dos quais precisam recuperar infraestruturas, equipamentos e capacidade de produção após as inundações.
Dados do processo indicam que as empresas solicitaram ao BPC financiamentos no valor global de 34,632 mil milhões de kwanzas, montante superior aos 30 mil milhões disponibilizados pelo Executivo.
A linha de crédito, com condições bonificadas, foi criada para apoiar empresas afectadas pelas chuvas intensas registadas em Abril e prevê financiamentos destinados à recuperação dos negócios atingidos.


