A partir de hoje, 1 de Setembro, Angola passa a contar com uma nova peça na arquitectura do seu mercado financeiro: a Mulemba RE – Companhia Angolana de Resseguros, S.A., que inicia oficialmente a sua actividade comercial com a ambição de reforçar a capacidade de retenção de risco no mercado nacional e, futuramente, expandir a sua operação para outros mercados da região.
Constituída por 12 seguradoras angolanas e pelo Fundo Soberano de Angola, a Mulemba RE nasce para assumir um papel que até agora era desempenhado, em larga medida, por resseguradores internacionais: oferecer cobertura aos próprios riscos das companhias de seguros que operam em Angola.
A entrada em funcionamento da nova resseguradora poderá representar, assim, uma mudança estrutural para o sector. Ao criar capacidade local de resseguro, Angola passa a ter condições para reter uma parcela maior do valor gerado pelo mercado segurador dentro da sua economia, ao mesmo tempo que complementa a capacidade disponibilizada pelos grandes operadores internacionais.
Mais do que uma nova empresa, a Mulemba RE pretende ser uma plataforma de desenvolvimento de know-how técnico especializado, contribuindo para a formação de competências nacionais numa área particularmente sofisticada do sector financeiro. O projecto prevê ainda, numa fase posterior, a expansão regional dos seus serviços, abrindo a porta a uma estratégia que poderá ultrapassar as fronteiras do mercado angolano.
A criação da Mulemba RE resulta de um projecto estratégico que vinha sendo desenhado há décadas e que reúne, agora, capital privado e participação pública. O seu lançamento contou com o alinhamento institucional do Executivo angolano, da ARSEG – Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros e do sector financeiro.
“Angola dispõe finalmente de uma peça fundamental que faltava no seu mercado segurador: uma resseguradora nacional”, afirma Carlos Duarte, presidente do conselho de administração da Mulemba RE. Para o responsável, trata-se de um projecto “ambicioso, mas necessário”, resultado da conjugação de esforços públicos e privados.
O lançamento ocorre num momento em que o desenvolvimento de mercados financeiros mais profundos e com maior capacidade de retenção de capital assume importância crescente para as economias africanas. No caso de Angola, a existência de uma resseguradora nacional poderá contribuir para reduzir a dependência de capacidade externa, aumentar a sofisticação técnica do sector e criar condições para que parte do risco associado à actividade económica nacional seja gerido dentro do próprio país.
A ambição regional será, por isso, uma das dimensões mais relevantes a acompanhar. Se a Mulemba RE conseguir consolidar uma base sólida em Angola, a expansão para outros mercados africanos poderá transformar a companhia num novo operador regional de referência no resseguro.
O dia 1 de Setembro marca, assim, não apenas o início da actividade comercial de uma nova companhia, mas também a concretização de uma aposta de longo prazo na criação de capacidade financeira, conhecimento técnico e retenção de valor em Angola.



