Novo aeroporto abre ciclo para mais investimentos e crescimento económico

O ministro dos Transportes reiterou sexta-feira, em Luanda, a aposta do Executivo em criar um ecossistema de infra-estruturas no domínio aeroportuário com o objectivo de tornar Angola num dos principais hubs da região austral do continente.
Ricardo d’Abreu discursava na abertura do I Fórum sobre Transportes e Logística, que decorre sob o lema “O Novo Aeroporto como Pólo de Desenvolvimento Económico para o País”. O governante sublinhou que a nova infra-estrutura “simboliza uma viragem no modelo de crescimento nacional”, como parte de um plano mais amplo que integra várias componentes essenciais.
Entre os principais investimentos que configuram as linhas estruturantes da estratégia do Executivo em prol da materialização da meta descrita, Ricardo d’Abreu atribuiu relevância para os corredores logísticos, zonas francas, plataformas de carga, ligações ferroviárias e marítimas, “capazes de dinamizar a economia e criar empregos”.
O governante foi peremptório em afirmar que o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto não deve ser visto apenas como uma infra-estrutura moderna, mas como um instrumento estratégico capaz de transformar Angola num hub regional e intercontinental de transportes e logística para atrair investimento e consolidar o posicionamento económico do país.
“O aeroporto não é um fim em si mesmo, é uma ideia e um compromisso colectivo que requer uma cultura de trabalho exigente, operadores logísticos eficientes e capital humano preparado para competir ao mais alto nível”, disse.
A ambição de fazer de Angola um centro de conexões aéreas regionais, recordou, não pode ser apenas um slogan, mas sim a exigência de reformas estruturais, estabilidade regulatória, previsibilidade para o investidor e uma diplomacia económica activa.
Para o ministro, Angola está num ponto em que já não parte do zero, sendo que nos últimos anos construiu uma reputação que tem atraído parceiros globais e empresas dispostas a apostar no país.
Nova infra-estrutura
De acordo com Ricardo d’Abreu, a nova infra-estrutura foi concebida como uma plataforma integrada que se conecta ao Corredor do Lobito, ao Porto do Namibe, à rede ferroviária e rodoviária e às futuras zonas logísticas e industriais.
“A ambição é tornar Angola uma referência africana em transportes, exportação, armazenagem e distribuição”, reafirmou.
O Aeroporto, lembrou, possui sistemas avançados de navegação aérea, terminais modernos, área de manutenção e abastecimento, e um pólo logístico com zonas francas e áreas para armazenamento de carga perecível e industrial.
“Angola precisava, sim, de um novo aeroporto. Esta é uma resposta muito adiada a uma necessidade estratégica identificada há décadas”, explicou Ricardo d’Abreu, acrescentando que o Banco Mundial já em 1997 alertava para a urgência da obra.
Receitas sustentáveis
Ricardo d’Abreu destacou que o investimento público na infra-estrutura foi apenas o ponto de partida, sendo que agora a prioridade é atrair capital privado nacional e estrangeiro, gerar receitas sustentáveis e multiplicar efeitos positivos no território.
“A infra-estrutura está pronta, cabe agora ao empresariado e aos investidores fazer dela um motor de prosperidade, o Estado criou condições e cabe-nos trabalhar com rigor, ao respeitar padrões internacionais”, enfatizou.
O ministro classificou como “obsessão justificada” o compromisso de preparar uma nova geração de profissionais aeronáuticos certificados, motivados e capacitados. “O nosso diferencial competitivo são sempre as pessoas. Sem quadros qualificados, tudo o resto falha. Cada empresa e cada técnico precisam assumir o compromisso de modernizar processos e adoptar as melhores práticas”, apelou.
O Pólo Logístico Aeroportuário, esclareceu, não é apenas projecto urbanístico, mas uma aposta estratégica para atrair empresas de transporte, logística, turismo, tecnologia e formação, para criar empregos e aumentar a competitividade angolana.



