Odebrecht Confirma Entrada de Sócio Estratégico e Mota-Engil Surge como Principal Candidata

A construtora brasileira Odebrecht confirmou que a entrada de um sócio estratégico no seu capital social integra a estratégia de longo prazo do grupo, alimentando as especulações em torno de uma eventual aquisição de uma participação de cerca de 40% pela multinacional portuguesa Mota-Engil.
A posição oficial foi divulgada na sequência de notícias avançadas pela imprensa brasileira, que apontam para conversações entre as duas empresas. Em comunicado, a Odebrecht reconhece que mantém contactos com a Mota-Engil, mas sublinha que as negociações ainda se encontram numa fase preliminar e que, até ao momento, não foi iniciado qualquer processo de due diligence, nem existe qualquer garantia de que as conversações culminem num acordo definitivo.
Actualmente integrada na holding Novonor, a Odebrecht refere que a relação com a Mota-Engil assenta em décadas de cooperação e confiança mútua. As duas empresas têm desenvolvido diversos projectos em consórcio, tanto no Brasil como em vários países africanos, consolidando uma parceria considerada estratégica no sector da engenharia e construção.
Caso a operação venha a concretizar-se, a Mota-Engil poderá tornar-se um dos principais accionistas da histórica construtora brasileira, reforçando a presença das duas empresas nos mercados da América Latina, África e outras regiões onde ambas mantêm operações relevantes.
A eventual entrada da construtora portuguesa acontece numa altura em que a Odebrecht procura consolidar a recuperação financeira iniciada após a crise desencadeada pela Operação Lava Jato. Em 2019, o grupo recorreu à recuperação judicial para reestruturar uma dívida superior a 65 mil milhões de reais, num dos maiores processos de reorganização empresarial da história do Brasil.
Durante esse período, o conglomerado adoptou temporariamente a designação Novonor, procurando marcar uma nova fase da sua actividade. Em 2023, a divisão de engenharia e construção recuperou oficialmente a marca Odebrecht e, em Março de 2026, concluiu o processo de recuperação judicial, encerrando um ciclo de profunda reestruturação financeira.
Segundo dados divulgados pela empresa, a Odebrecht registou uma receita bruta de 5,2 mil milhões de reais em 2024, resultado que reflecte a retoma gradual das suas operações e o fortalecimento da sua posição no mercado.
Para analistas do sector, uma eventual parceria accionista entre a Odebrecht e a Mota-Engil poderá dar origem a um dos maiores grupos de engenharia e construção do espaço lusófono. As duas empresas já colaboram em projectos de grande dimensão, incluindo a concessão da Rota dos Sertões, no Brasil, além de várias empreitadas de infra-estruturas em países africanos.
Embora ainda não exista qualquer acordo vinculativo, o mercado acompanha com expectativa a evolução das negociações, que poderão redefinir o posicionamento estratégico de duas das maiores construtoras com forte presença no mundo lusófono.


