Angola possui 220 locais de desembarque de pescado, mais de metade informais, avançou hoje -quase descobrindo a pólvora – a ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen do Sacramento Neto, que defendeu a necessidade de investimento público-privado de qualidade para melhor organização.
Carmen do Sacramento Neto falava na abertura da VI edição da Conferência E&M sobre “Economia Azul”, dedicada ao tema “Do Potencial Marítimo ao Fomento Industrial – Infra-estruturas Portuárias e de Transporte, Transformação e Novas Cadeias de Valor”.
Segundo a ministra, o sector tem actualmente o maior número de embarcações que trabalha ao longo das 200 milhas e dos cerca de 1.650 quilómetros da costa atlântica, “uma presença notória e comprometida com a necessidade de organização”.
Ainda sobre os locais de desembarque de pescado, a governante angolana realçou que 115 cais são informais e conflituam com outras ocupações realizadas na costa marítima angolana.
A ministra das Pescas e Recursos Marinhos realçou que o sector está a tentar levar a cabo o trabalho, que espera concluir no próximo ano, de organização dos locais de desembarque, “que tragam infra-estruturas, lotas organizadas com coisas básicas, como gelo, água, energia, conservação, inspecção sanitária, manutenção de embarcações, transporte adequado e todas as operações conexas que se adivinham quando uma indústria se instala”.
“É neste tipo de iniciativas que nós trazemos a oferta que vimos fazendo, que é trazer investimento de qualidade público e privado”, referiu a ministra.
Carmen do Sacramento Neto frisou que o objectivo é obter um investimento que, além da construção de infra-estruturas, traga também a sua manutenção e apoio às embarcações, que dentro do território angolano fazem a produção do pescado.
A titular da pasta das Pescas e Recursos Marinhos disse que o sector conta com o Corredor do Lobito, infra-estrutura que liga por ferrovia a República Democrática do Congo e a Zâmbia ao litoral angolano, no porto do Lobito, para o escoamento do pescado, um produto perecível, e também do sal.
“É esta ligação que os corredores nos trarão, olhando para a ligação do litoral até às terras do leste, cobrindo efectivamente todo a área continental de Angola, e que nos permitem efectivamente fazer uma exportação regional, que se afigure importante, estruturada e que contribua efetivamente para a nossa economia e para isso é necessária organização”, destacou.
Na mesa-redonda, o director de grandes empresas do Standard Bank Angola, André Reigota, centrou a intervenção na questão do financiamento, e referiu que “Angola não está sozinha a competir por um capital que é escasso, mas que existe”.
O ‘gap’ financeiro global estimado do continente africano é de cerca de 100 biliões de dólares (86,6 mil milhões e euros) por ano, afirmou.
André Reigota vincou que para o acesso ao financiamento é fundamental que Angola seja capaz, eficiente e ágil na apresentação e estruturação de projetos, “para que se consiga chegar à frente na corrida pelo capital que existe no continente africano”.
O gestor realçou também que a banca lida bem com previsibilidade e a distribuição de riscos dos projetos, reiterando a necessidade de se encontrar projetos de qualidade que atraiam esse capital.



