Petróleo: Barril sobe há cinco dias sem parar e atinge valor máximo de dois meses – Tensões crescentes no Médio Oriente deixam à vista fasquia dos 100 USD

O barril de petróleo Brent, referência maior para as ramas exportadas por Angola, atingiu na manhã desta quinta-feira, 23, máximos de dois meses, deixando à mão de semear a fasquia dos 100 USD, com a guerra entre o Irão e os EUA a servir de catapulta.
A sessão de hoje é a quinta consecutiva em que a matéria-prima sobe sem parar e com vigor reforçado a cada dia que passa, senão mesmo a cada hora que se esfuma no relógio das incertezas globais, com os segundos a serem martelados à bomba no Golfo Pérsico.
Desde 22 de Maio que o barril de Brent não chegava aos 98 dólares, valor que se registava esta manhã perto das 09:00, hora de Luanda, reflectindo uma subida superior aos 4%, o que é resultado directo das notícias sobre ataques a dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho.
Com efeito, depois de o fecho do Estreito de Ormuz pelo Irão, com a retoma dos ataques dos EUA a 08 de Julho, após Washington torpedear o Memorando de Entendimento (MdE), ter levado o barril além dos 90 USD, a fasquia dos 100 USD está agora ao virar da esquina do advir breve com o fecho do Estreito de Bab al-Mandab, pelos Houthins do Iémen.
E não é para menos, alias, seria para muito mais, como têm estado a explicar vários analistas, se não fosse a continuada libertação de reservas estratégicas pelos EUA para sossegar os mercados, porque estes dois Estreitos têm uma relevância avassaladora no negócio planetário da energia.
Se o Estreito de Ormuz é uma rolha para 20% do gás e do crude mundiais produzidos no Golfo Pérsico, embora aos 20 milhões de barris tenham sido aliviados cerca de 7 milhões depois de a Arábia Saudita desviar esse fluxo para a sua costa no Mar Vermelho, despachando-os através do terminal do Porto de Yanbu.
Só que, agora, já esta semana, os lideres da Ansar Allah (Houthis), do Iémen, anunciaram um bloqueio naval aos petroleiros sauditas que demandem o Oceano Índico via Bab al-Mandab com destino à Ásia, o que inutiliza, na prática, esta solução.
É que se os sauditas quiserem manter esses 7 milhões de barris que todos os dias chegam a Yanbu, na costa do Mar vermelho, nos mercados, isso exigiria levá-los pelo Canal do Suez, viável para exportações dirigidas à Europa, por exemplo, mas não para a Ásia, considerando que tal só seria viável contornando o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança.
Com estes dois canais marítimos (ver imagem) de relevância estratégica comprometidos, alguns analistas admitem já que se se mantiver esta elevada tensão e conflituosidade, não há obstáculos para uma escalada da matéria-prima nos mercados até valores recorde se sempre, acima dos 150 USD.
Recorde-se que os Houthis são uma organização com fortes laços com o Irão, que domina parte do Iémen, especialmente o oeste do país, incluindo a sua capital, Saná, e a estratégica costa onde está o Estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho/Canal do Suez ao Oceano Índico.


