Petróleo volta a ultrapassar os 110 USD após Trump ameaçar obliterar Irão

QATAR - APRIL 12: Illustration: oil in the Gulf In Qatar On April 12, 2002. (Photo by Bernard GERARD/Gamma-Rapho via Getty Images) Foto: DR
O petróleo mantém a trajeCtória de subida, impulsionado pelo agravamento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irão. Nesta sessão, o Brent avança 1,41% para 111,32 USD por barril, aproximando-se dos máximos intradiários. Já o WTI soma 2,30%, negociando nos 115 USD, depois de ter chegado a disparar quase 4% até aos 116,56 dólares - um nível que representa máximos de quase um mês.
Ambos os contratos de referência encaminham-se para a terceira sessão consecutiva de ganhos, depois de já terem encerrado segunda-feira em alta ligeira, numa reação inicial às declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Numa longa conferência de imprensa, Trump afirmou que o Irão "pode ser destruído numa única noite", admitindo que tal cenário poderia concretizar-se "já amanhã". As declarações surgem no contexto do ultimato imposto a Teerão para reabrir o estreito de Ormuz, uma das principais artérias do comércio energético global. O chefe de Estado norte-americano reiterou ainda que os EUA "não podem permitir que o Irão desenvolva uma arma nuclear", sublinhando que a atual operação já produziu "uma mudança de regime", segundo avança a imprensa internacional.
Segundo Robert Rennie, director de investigação de matérias-primas da Westpac Banking Corp, a evolução dos preços dependerá da resposta iraniana. "Se Trump avançar para um cenário de "aniquilação" e o Irão responder com retaliações mais devastadoras, é provável que o petróleo acelere em direção aos 120 dólares", afirmou à Bloomberg. "Por outro lado, um eventual adiamento poderá manter os preços na faixa entre 95 e 110 USD no curto prazo", acrescentou.
Apesar do tom agressivo, Trump assegura que as negociações com Teerão continuam "a decorrer bem". Na segunda-feira, o regime liderado por Mojtaba Khamenei apresentou uma contraproposta de dez pontos ao plano de cessar-fogo da Casa Branca. Entre as medidas propostas estão o fim definitivo do conflito, a criação de um protocolo de circulação segura no estreito de Ormuz, o levantamento das sanções e apoio internacional à reconstrução de infraestruturas afetadas pela guerra. O Presidente norte-americano considerou que a proposta "não é suficiente, mas representa um passo na direção certa".
O conflito entra agora na sexta semana e, apesar dos esforços diplomáticos, os sinais no terreno continuam negativos. O estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do petróleo e gás natural consumidos a nível global, permanece encerrado, agravando uma crise energética com impactos já visíveis na inflação das principais economias mundiais.


