Cuito - O Plano Director do Corredor do Lobito destaca a província do Bié como a que mais se evidencia na produção agrícola e na agropecuária, essenciais para garantir a segurança alimentar.
Cuito - O Plano Director do Corredor do Lobito destaca a província do Bié como a que mais se evidencia na produção agrícola e na agropecuária, essenciais para garantir a segurança alimentar.
A avaliação ambiental estratégica do referido plano foi apresentada hoje, terça-feira, na cidade do Cuito, província do Bié, no âmbito do processo de consulta pública que a Unidade de Implementação do Projecto Diversifica Mais, em parceria com a Agência Reguladora de Certificação de Carga e Logística de Angola (ARCCLA), leva a cabo em todo o país.
Apesar de não apresentar dados comparativos, o documento conclui que o Bié é a província que mais se destaca na produção agrícola e pecuária, em relação às restantes localizadas ao longo do Corredor do Lobito, nomeadamente Benguela, Huambo, Moxico e Moxico Leste
Dados do Gabinete da Agricultura e Pesca do Bié apontam para a colheita, na última campanha agrícola (2025/2026), de dois milhões 484 mil 580 toneladas de produtos diversos, mais 414 mil e 96 em comparação com o igual período anterior.
A safra, em que se destacam produtos como o milho, feijão, trigo, arroz, mandioca, soja, batata-rena e doce, entre outros tubérculos, foi colhida numa área de 702 mil hectares.
O relatório da campanha agrícola refere que esta produção foi possível graças ao apoio do Governo às mais de 281 mil famílias camponesas organizadas em 476 cooperativas, mil 577 associações, assim como mil 774 Escolas de Campo Agrícolas.
Além da capacitação profissional, as famílias foram apoiadas com inputs
agrícolas, com realce para adubo, amónio, ureia, sementes de milho amarelo, branco, arroz, feijão catarino, feijão manteiga, trigo, massambala e massango, além de instrumentos de trabalho, sobretudo tractores e suas alfaias, motocultivadoras, descascadores de arroz, debulhadoras de milho, motobombas e pulverizadores, enxadas e catanas.
O coordenador da equipa de consultoria do Plano Director do Corredor do Lobito, Francisco Borja, referiu que estes dados serão disponibilizados ao sector privado, para poder direccionar, com confiança, o investimento agrícola no Bié.
Já o coordenador do Projecto Diversifica Mais, Álvaro David, realçou ser intenção das autoridades do país assegurar a diversificação da economia nacional, através dos sectores da agricultura, pecuária, transportes, silvicultura e indústria.
Entre os resultados esperados, mencionou a criação de mais postos de emprego, bem como a sustentabilidade das famílias.
Na sua intervenção, a directora do Gabinete do Ambiente, Resíduos Sólidos e Serviços Comunitários do Bié, Josefina Massoxi, recomendou a necessidade de os estudos do plano velarem pela preservação da biodiversidade, pela protecção das florestas e pela valorização da economia circular.
Ao discursar no acto de encerramento, o vice-governador para o Sector Técnico e Infra-estrutura, José Fernando Tchatuvela, disse que, para além da agricultura, a província continua aberta para o sector privado investir noutras áreas, de modo a contribuir para o desenvolvimento socioeconómico.
Por esta razão, apontou como desafio urgente a entrada em funcionamento do Pólo Industrial do Cunje e da Plataforma Logística do Cunhinga, com vista a atrair mais investidores e acelerar a diversificação da economia local.
Para além do Bié, o Plano Director do Corredor do Lobito já foi objecto de auscultação nas províncias do Moxico Leste, Moxico e Huambo. Para Benguela, a actividade está marcada para a próxima quinta-feira.
Os encontros estão a servir também para a apresentação de alguns instrumentos de orientação integrada para o desenvolvimento territorial, económico e logístico do corredor para as próximas décadas, bem como os principais resultados da avaliação ambiental estratégica, incluindo as oportunidades, os desafios e as recomendações identificadas para o seu crescimento.
Para além de ser um exercício técnico, trata-se de um processo decisivo para conciliar o crescimento do corredor, englobando o comércio, investimento privado e emprego, aliado aos padrões de sustentabilidade ambiental e social, beneficiando as comunidades, empresas e instituições das províncias envolvidas.
O Corredor do Lobito é uma rota logística e de transporte em Angola que liga o Porto do Lobito (no Oceano Atlântico) às zonas mineiras e agrícolas da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia, com a integração do Caminho-de-Ferro de Benguela.
Prestigiaram o encontro os administradores adjuntos dos 19 municípios do Bié, académicos, empresários, membros da sociedade civil, entre outros. JEC/PLB


