Prémios atingem 447.539 milhões Kz e já valem 94% do total de 2024

Contagem de dinheiro.
Contagem de dinheiro.
A produção de seguros em Angola continua a crescer e já dá sinais claros de que 2025 será um ano recorde para o sector. Nos primeiros nove meses do ano, os prémios brutos emitidos aumentaram 22,7%, para 447.539 milhões Kz, face aos 364.779 milhões Kz registados no período homólogo de 2024, segundo cálculos do Expansão com base nos dados da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG).
Este crescimento supera a inflação homóloga, que no final de Setembro de 2025 se situava em 21,7%, evidenciando um ganho real do mercado. Os números mostram ainda que, entre Janeiro e Setembro, o sector já atingiu 94% de toda a produção de 2024, que se fixou em 478.189 milhões Kz. Na prática, o mercado precisou de apenas três trimestres para quase igualar o volume facturado ao longo de todo o ano anterior. Com mais um trimestre por fechar, 2025 deverá ultrapassar, pela primeira vez, a fasquia dos 500 mil milhões Kz em prémios, estabelecendo um novo máximo histórico.
A leitura mais aprofundada dos dados revela, contudo, que o crescimento observado em 2025 resulta menos de uma transformação estrutural do mercado e mais da continuidade de factores que já vinham a marcar o sector nos últimos anos. Desde 2020, a trajectória ascendente da produção de seguros tem sido fortemente influenciada por três vectores principais: a inflação, a concentração em poucos ramos dominantes e a dependência dos grandes riscos empresariais, em particular os ligados ao sector petrolífero.
Entre 2020 e 2022, o crescimento nominal do mercado foi, em larga medida, uma resposta à inflação elevada e à desvalorização do kwanza, que inflacionaram os prémios sem que isso significasse, necessariamente, um aumento real da penetração do seguro. Em 2023 e 2024, a retoma económica parcial e a maior procura por seguros de saúde - impulsionada pelo aumento dos custos médicos e pela fragilidade do sistema público - reforçaram esta tendência. Em 2025, o padrão repete-se: os prémios crescem acima da inflação, mas o número de apólices cai de forma acentuada, sinalizando um mercado que cresce "para cima", mas não "para os lados".
Vida recupera, Não Vida domina
O ramo Vida voltou a ganhar fôlego depois de um período de forte volatilidade. Nos primeiros nove meses de 2025, cresceu 42,95%, para 32.864 milhões Kz, reflectindo um aumento significativo em termos absolutos. Esta oscilação continua a estar fortemente ligada à dinâmica do crédito bancário, uma vez que muitos produtos Vida estão associados a empréstimos a particulares. Sempre que a concessão de crédito abranda, a produção cai rapidamente - e o inverso também se verifica. Noutras geografias, como a África do Sul, este ramo domina o mercado, sustentado por produtos de poupança e investimento e por uma cultura financeira mais desenvolvida. Em Angola, essa realidade ainda está distante, o que explica o peso relativamente reduzido do Vida no conjunto do mercado, não chega a 8% do total das vendas. Já os ramos Não Vida mantêm-se como o principal motor do sector, com um crescimento de 21,32%, para 414.675 milhões Kz. O ramo Doença continua a liderar, com prémios de 137.399 milhões Kz, seguido da Petroquímica (101.067 milhões Kz), Acidentes de Trabalho (36.262 milhões Kz) e Incêndios e Elementos da Natureza (19.539 milhões Kz). Esta concentração, contudo, levanta dúvidas quanto à qualidade e sustentabilidade do crescimento.
Menos apólices, mais prémios
Apesar do aumento da produção, o número total de apólices caiu 46,39%, para 522.560. A quebra foi particularmente acentuada no ramo de Acidentes Pessoais, que passou de 249.914 para apenas 66.275 apólices. Esta redução indica que o crescimento do mercado está a ser impulsionado sobretudo por prémios médios mais elevados e por grandes riscos, e não pela massificação do seguro junto das famílias e das pequenas empresas. É precisamente neste ponto que os operadores alertam para a necessidade de mudar o foco.



