A Empresa Pública de Produção de Electricidade (PRODEL) tem como principais desafios efectuar a cobertura total do consumo doméstico nos próximos cinco anos e alcançar 100 por cento de matriz eléctrica de fontes limpas.
Também consta das prioridades da empresa suprir a tendência de procura energética para efeitos industriais e garantir auto-suficiência financeira por vida do fornecimento do excedente para os países da região Austral do continente com alto défice. A estratégia foi partilhada pelo presidente do Conselho de Administração, Pedro Afonso, quando falava aos jornalistas no final de um seminário, realizado quinta-feira, no stand do sector na 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA 2026). Durante a visita guiada, que se seguiu ao encontro, no quadro de actividades paralelas do terceiro dia da FILDA, Pedro Afonso disse que a matriz energética é evidenciada pelo aumento da produção por fontes limpas, quando comparadas com as centrais termoeléctricas. Segundo o gestor, Angola partiu, em 2015,de uma matriz predominantemente termoeléctrica, sustentada por 58 centrais, 48 das quais térmicas e 10 hídricas, ao passo que, desde o ano transacto (2025), o país testemunhou uma viragem de 180 graus ao atingir uma matriz hidroeléctrica predominante, com impacto na redução dos custos operacionais e benefícios ambientais. As estatísticas mostram que o país conta com 75 centrais entre os activos mais importantes na produção energética, subdivididos em 13 centrais hídricas, nove (9) solares, igual número (9) de centrais híbridas e 44 térmicas, em função das quais foi possível atingir a actual capacidade instalada de 6.346 megawatts, além de outros projectos no domínio privado. Segundo as métricas avançadas pelos técnicos da PRODEL, 91 por cento da energia consumida em todo o território nacional provém de fontes renováveis, o que posiciona Angola entre os países africanos com maior proporção de energia limpa no consumo interno, ou seja, o aumento exponencial das fontes limpas reflecte na redução de 68 por cento do consumo de gasóleo, assim como o declínio considerável da pegada de carbono, ao evitar a emissão de cerca da 2,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera. Pedro Afonso disse sentir-se orgulhoso pela trajectória percorrida, razão pela qual está certo de que, até 2027, o país alcançará uma capacidade instalada na ordem dos 9.618 megawatts, dos quais 77 por cento terão proveniência em fontes renováveis, subdivididas em 62 por cento hídricas e 15 por cento solar. Os projectos solares a serem erguidos nas províncias de Malanje, com previsão de 400 megawatts; em Catete, para 104 megawatts e em Cabinda ( 90 megawatts) constam dos principais projectos estruturantes de electrificação rural sob égide do Ministério da Energia e Águas, assim como centrais solares e baterias previstas para mais de 225 localidades com meta a garantir equidade e inclusão social. A barragem de Caculo Cabaça, em construção no Cuanza-Norte, na opinião do gestor da PRODEL, é actualmente um dos projectos mais ambiciosos a ser levado a cabo pelo Executivo angolano, cuja operacionalização resultará num acréscimo de 2.172 megawatts à Rede Nacional de Electricidade, sem descurar do projecto habitacional (Angola-Namibia) de Baynes, localizados no Cunene, o qual deverá disponibilizar mais 860 megawatts, enquanto a barragem de Vuca, no Leste, prevê uma capacidade de 121 megawatts. “Além da reabilitação da barragem de Cambambe, a construção de Laúca e Caculo Cabaça, ainda em execução e que será a maior central em Angola, foram, também, reabilitadas as centrais da Matala, com 42.8 megawatts, a central de Luaximo, com 36 megawatts, a central do Kunji, que é uma mini hídrica. Foram construídas centrais fotovoltaicas do Biópio, Baia Farta, as centrais híbridas (combinação de centros foto voltaicas) de Saurimo, Lucapa, Luena, Cuito (Bié) e Cazombo (Luau)”, informou.




