O volume de produção de carne em Angola aumentou 4,6%, para 1,03 milhão de toneladas, destacando-se a carne caprina e bovina. Estes dados são referentes aos anos 2023 e 2025 e foram avançados nesta quinta-feira em Luanda, no Parlamento, pelo Presidente da República, João Lourenço, durante o discurso sobre o Estado da Nação.
Ainda no sector da Pecuária, João Lourenço avançou que a produção de ovos atingiu 7,73 unidades, sendo que foram vacinados, em média, 1,4 milhão de bovinos e 400 mil animais de estimação.
No domínio da Agricultura, cerca de 50,7% da população empregada no país tem como actividade principal a produção Agrícola, Pecuária, Florestal e Piscatória, o que representa aproximadamente 6,4 milhões de pessoas.
Segundo o Chefe de Estado, os registos apontam para a existência de 3,3 milhões de explorações agrícolas familiares e de 5,8 mil empresariais, encontrando-se em produção efectiva apenas 125 explorações empresariais.
Apontou que no período entre 2022 a 2026, o sector Agrário mobilizou financiamento significativo junto de parceiros internacionais para apoiar programas estratégicos de desenvolvimento agrícola, com foco no reforço da agricultura familiar, nas cadeias de valor, na irrigação, na investigação agrária e no fortalecimento institucional.
João Lourenço sublinhou que nos últimos três anos agrícolas se registou um crescimento da produção total de raízes e tubérculos, de cereais, leguminosas e oleaginosas, de hortícolas, frutas e de café comercial.
“Registaram-se avanços relevantes na disponibilidade de sementes certificadas e fertilizantes, condições indispensáveis para elevar a produtividade agrícola, reduzir perdas e aumentar o rendimento das famílias camponesas”, realçou o Presidente da República.
Durante o discurso sobre o Estado da Nação, o Presidente da República referiu que a disponibilidade de semente certificada passou de 2.850 toneladas, em 2023, para 6.930 toneladas em 2025, o que corresponde a um aumento de cerca de 143,2%.
No mesmo sentido, a disponibilidade média de fertilizantes destinados à agricultura familiar evoluiu de 13 mil toneladas em 2022, para 173.604 toneladas em 2026, representando um crescimento superior a treze vezes.
“Estes resultados criam bases mais sólidas para uma agricultura produtiva, competitiva e orientada para a segurança alimentar e a autonomia económica das comunidades rurais”, disse.
Destacou, igualmente, projectos estruturantes que reforçam a capacidade produtiva e a resiliência do sector, como os perímetros Irrigados de Cacala e Coreia 1, no município de Lucala, província do Cuanza-Norte, que abrangem 626 hectares, para beneficiar 86 produtores e duas empresas.
Já o projecto Quizenga, em Malanje, destacou que dispõe de dois mil hectares irrigados, apoiando 78 pequenos e médios produtores, e o projecto Luinga, localizado em Ambaca, província do Cuanza-Norte, com execução física de 93%, prevê mais de 10 mil hectares irrigados, beneficiando directamente cerca de 4 mil famílias camponesas e 100 empresas agrícolas.
ECONOMIA AZUL
No domínio das Pescas e da Economia Azul, o Executivo reafirma que o mar, as águas interiores e os recursos aquáticos constituem activos estratégicos para a diversificação económica, a segurança alimentar, a criação de emprego e a geração de rendimento para as comunidades costeiras e ribeirinhas.
Entre 2022 e 2025, a produção nacional de pescado aumentou de 558 mil para 725 mil toneladas, correspondendo a um crescimento de 30%. Segundo disse o Chefe de Estado, este desempenho reflecte o reforço da capacidade produtiva, a melhoria das condições de organização do sector e a valorização sustentável dos recursos disponíveis.
“Mais importante ainda, este progresso traduz-se em benefícios concretos para as famílias angolanas, com o consumo per capita de pescado a subir de 14,5 para 18 quilos por habitante por ano, aproximando-se da média mundial recomendada pela FAO”, sustentou.
No quadro dos investimentos estruturantes em curso, destacam-se iniciativas orientadas para a produção, conservação, comercialização e modernização do sector, designadamente a reabilitação do Centro de Piscicultura de Ngolome, localizada em Cambambe, província do Cuanza-Norte, com impacto na promoção da aquicultura e no aumento da produção em águas interiores.
A expansão da Pescangola, reforçando a capacidade nacional de apoio à actividade pesqueira; a construção da Lota de Pesca do Porto de Luanda e a reabilitação da Lota do Tômbwa, melhorando as condições de recepção, conservação, venda e controlo de qualidade do pescado, o projecto AFAP II, orientado para o apoio à pesca artesanal e à aquicultura, com benefícios directos para as comunidades produtivas.
De acordo com João Lourenço, estes investimentos elevam a qualidade dos produtos, reduzem perdas pós-captura, melhoram a organização dos mercados e asseguram maior rendimento para os pescadores, armadores, operadores de aquicultura, comerciantes e consumidores.
Paralelamente, o Programa Kalunga, concebido para reforçar a formação dos quadros no sector das Pescas e Recursos Marinhos reforça o conhecimento científico sobre os recursos marinhos nacionais, permitindo decisões mais sustentáveis, baseadas na evidência e orientadas para a conservação dos ecossistemas.
No mesmo sentido, destacou que o Projecto Integrado de Fiscalização Pesqueira fortalece o combate à pesca ilegal, não-declarada e não-regulamentada, protegendo os recursos, a actividade económica formal e o futuro das comunidades que dependem do mar.
Para o Presidente da República, a consolidação da Economia Azul exige uma visão integrada, moderna e sustentável, orientada por quatro prioridades que são: integrar Pesca, Aquicultura, Transformação Industrial, Conservação Ambiental e Logística de Distribuição, consolidar uma rede nacional de infra-estruturas pesqueiras modernas, funcionais e articuladas com os principais centros de consumo e exportação.
Constam igualmente entre as prioridades integradas, o reforço da formação de mestres, marinheiros, técnicos de aquicultura, biólogos marinhos, fiscais, gestores e empreendedores do sector e promover a literacia dos oceanos para que os cidadãos conheçam, valorizem e protejam o Património Marítimo Nacional.
“Com esta estratégia, Angola reforça a sua posição como protagonista continental no aproveitamento sustentável dos oceanos, promovendo uma Economia Azul que gera riqueza, protege o ambiente, valoriza as comunidades e contribui para a soberania alimentar e económica do país”, referiu João Lourenço. &




