A produção de mais de 100 mil toneladas de milho coloca o Panguila entre os principais Pólos Agrícolas do Bengo e transforma o cereal num dos motores da economia local.
A actividade envolve produtores, trabalhadores, comerciantes e transportadores, criando emprego, gerando rendimento e contribuindo para o abastecimento de mercados de várias províncias do país.
Ainda antes de o sol ganhar força, os campos da Quissomera começam a ganhar movimento. Entre extensas áreas de cultivo, trabalhadores preparam a colheita, comerciantes procuram produtos e camiões são carregados com milho, tomate, cebola e beringela destinados a diferentes mercados.
É neste cenário que o Panguila vai afirmando a agricultura como uma das principais actividades económicas e uma importante fonte de emprego e rendimento para milhares de famílias.
Produção de tomate
Ao lado do milho, outras culturas contribuem para diversificar a oferta agrícola. O tomate apresenta uma produção estimada em 87 mil toneladas, enquanto a beringela se aproxima das 500 toneladas, numa dinâmica que envolve produtores, trabalhadores, comerciantes e transportadores.
A dimensão da actividade reflecte-se também na organização do sector. O município conta, actualmente, com 51 cooperativas, das quais 45 agrícolas e seis ligadas à pesca, além de 18 fazendas, formando uma rede produtiva que sustenta milhares de famílias.
Entre as principais unidades produtivas está a Cooperativa Kapique, localizada na Quissomera, a cerca de 45 quilómetros da sede municipal.
A cooperativa reúne cerca de 4.500 trabalhadores provenientes de diferentes regiões do país, transformando a agricultura numa importante actividade geradora de emprego.
Do campo para o mercado
A produção agrícola começa também a ganhar expressão na actividade comercial. Na Quissomera, comerciantes deslocam-se directamente às zonas de cultivo para adquirir produtos que posteriormente são encaminhados para diferentes pontos do país.
Anaire da Silva encontrou nesta actividade uma oportunidade de negócio. O comerciante investiu mais de dois milhões de kwanzas na compra de tomate e, numa das operações, conseguiu carregar um camião com 370 caixas.
Segundo o comerciante, uma operação deste género pode proporcionar um rendimento superior a 700 mil kwanzas.
“Com este negócio tenho sustentado a minha família e pago a escola dos meus filhos”, afirmou.
A comercialização cria uma cadeia que ultrapassa a actividade agrícola propriamente dita. Do produtor ao consumidor, participam trabalhadores das lavras, comerciantes, transportadores e outros agentes económicos, fazendo circular produtos e rendimento.
Agricultura gera emprego
Nos campos da cooperativa Kapique, a agricultura representa uma oportunidade de trabalho para cidadãos provenientes de diferentes províncias do país.
Dália Faria, de 56 anos, trabalha no sector há mais de uma década e considera a actividade uma importante fonte de sustento para a família.
Emília Lucamba encontrou nos campos do Panguila uma oportunidade de emprego depois de deixar Luanda. Dedicada à produção de cebola e beringela, considera a actividade uma oportunidade e incentiva outros jovens a apostarem no trabalho produtivo.
Além do emprego directo, a actividade agrícola cria oportunidades para diferentes sectores ligados à cadeia de produção e comercialização, reforçando a importância económica do campo para as comunidades.
“Para dinamizar o sector, a Administração Municipal tem apoiado os produtores com sementes de milho, tomate, beringela e cebola, além de equipamentos destinados a facilitar o trabalho nas comunidades”, disse.
Na Quissomera foram disponibilizadas unidades de moagem, permitindo aos produtores processar parte da produção localmente e reduzir as deslocações para outras zonas.
A medida facilita o trabalho dos agricultores e contribui para acrescentar valor à produção.
Água e estradas são desafios
Apesar dos resultados alcançados, a falta de água e as dificuldades de acesso continuam entre os principais constrangimentos apontados pelos produtores para o aumento da produção e o escoamento das colheitas.
O presidente da cooperativa Kapique, João Dala, explicou que os produtores continuam muito dependentes das chuvas.
“A nossa maior dificuldade é a água. Trabalhamos com a chuva. Na primeira época não conseguimos produzir devido à estiagem”, afirmou.
A ausência de sistemas de irrigação torna a produção vulnerável às condições climáticas e pode comprometer o desempenho dos agricultores durante os períodos de estiagem.
As condições das vias de acesso também dificultam o transporte dos produtos para os mercados. Segundo João Dala, a Administração Municipal já iniciou trabalhos de terraplanagem em alguns troços, numa intervenção que poderá melhorar progressivamente o escoamento da produção.
Criada em 2006, a Cooperativa Kapique comercializa milho e outros produtos agrícolas em mercados como Catinton, Trinta e Sabadão.
O desafio passa agora por consolidar este potencial, com melhores condições de acesso à água, vias de comunicação e meios de produção, de modo a elevar a produtividade, reduzir os custos de escoamento e permitir que a agricultura continue a gerar emprego, rendimento e alimentos para as famílias e para os mercados do país. &



