O Centro de Produção de Mudas do Quilombo, localizado na cidade de Ndalatando, província do Cuanza-Norte, projecta uma produção anual de 10 milhões de mudas de café, cacau e palmeiras, além de árvores de fruto, espécies florestais e plantas de sombra, anunciou o director-geral do Instituto Nacional do Café de Angola (INCA).
Vasco Gonçalves avançou esta informação durante uma visita de constatação às instalações do Centro do Quilombo, localizado em Ndalatando. O responsável explicou que o projecto integra a estratégia nacional de relançamento das culturas permanentes e de reforço da capacidade de produção de mudas para abastecer os agricultores em várias regiões do país. Segundo Vasco Gonçalves, o viveiro dispõe actualmente de cerca de 40 mil mudas de cacau, mas a meta é elevar a produção para, pelo menos, 500 mil mudas, destinadas principalmente aos produtores do Cuanza-Norte, em zonas com condições agroecológicas favoráveis para a cultura. O director-geral referiu que o programa de produção de mudas não se limita ao Cuanza-Norte, estando, igualmente, a ser desenvolvido em províncias como Cabinda, Bengo, Huíla, Benguela, Cuanza-Sul e Malanje, entre outras regiões tradicionalmente vocacionadas para a produção de café. De acordo com o responsável, o objectivo institucional do INCA é atingir, até ao final do ano, uma produção de cerca de 10 milhões de mudas, número que poderá ser ultrapassado com o contributo do projecto “Mukacafé” e dos viveiristas privados, cuja participação na produção de mudas tem vindo a crescer. Relativamente ao fornecimento aos agricultores, Vasco Gonçalves esclareceu que o Estado vai deixar de disponibilizar as mudas de forma totalmente gratuita. Explicou que os produtores vão passar a comparticipar nos custos de aquisição, mediante um preço acessível, destinado apenas a cobrir os custos de produção. O responsável justificou a medida com a necessidade de promover uma maior valorização dos insumos agrícolas por parte dos beneficiários, sublinhando que a gratuitidade nem sempre incentiva o uso responsável dos recursos. Ainda assim, garantiu que os pequenos produtores vão continuar a beneficiar de apoio no âmbito dos programas de fomento do INCA, com a oferta gratuita de até duas ou três mil mudas por hectare, sendo cobrado apenas o excedente dessa quantidade. Sobre o programa de desenvolvimento da cultura da palma, Vasco Gonçalves informou que o Ministério da Agricultura e Florestas lançou recentemente o Projecto Nacional da Palma, assente na produção de mudas do híbrido Tenera, variedade utilizada na produção comercial de óleo de palma, estando já em curso a importação de material vegetativo para impulsionar a implementação da iniciativa. O responsável acrescentou que, nesta altura, foram já importadas, no primeiro lote, cerca de 20 mil sementes, mas a meta é atingir as 500 mil mudas de dendém, trazidas da Costa do Marfim, Benin, Costa Rica, Malásia e da Indonésia. A província do Cuanza-Norte concentra no seu seio um manancial aquífero bastante rico, que combinado ao solo fértil e uma população jovem e experimentada ao campo têm garantido produção agrícola bastante alta. Nos últimos anos, o governo local, sob liderança de João Diogo Gaspar, tem revitalizado projectos, muito dos quais em recuperação.




