Segundo melhor IV trimestre em 10 anos empurra PIB para 3,1% em 2025

Preparação da terra para futura plantação agrícola na Fazenda Santo António, Kibala. Foto: césar Magalhães
O crescimento homólogo de 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no IV trimestre empurrou o crescimento da economia no ano passado para 3,1%, o que representa uma desaceleração face a 2024, de acordo com as Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Nacional de Estatística (INE). Ainda assim, a economia cresceu abaixo do crescimento da população, que é de 3,5% ao ano, o que significa que os angolanos estão mais pobres.
Ao crescer abaixo da população, significa que a economia não está a gerar os postos de trabalho em quantidade suficiente para acomodar a população que entra em idade activa para trabalhar, potenciando desemprego e, em circunstâncias mais extremas, mais delinquência. Até ao III trimestre do ano, o PIB em termos acumulados tinha crescido apenas 2,2%, fortemente penalizado pelo "suspeito do costume" petróleo, tendo o Expansão avançado, na altura, que para cumprir a meta de 3,0% projectada pelo Governo para 2025 (revista em baixa de 4,4% face à projecção inicial) a economia teria de crescer acima dos 5,5% no IV trimestre.
Dito e feito, de acordo com os dados do INE, o PIB neste período cresceu 5,70%, tratando-se do segundo maior crescimento verificado num quarto trimestre no espaço de uma década. Melhor mesmo só no IV trimestre de 2021, quando a economia começou a recuperar da Covid-19.
Para sustentar este crescimento que se verificou no IV trimestre de 2025 era necessário que alguns sectores tivessem crescimentos muito fortes. E aqui, destaque para a "mega expansão" homóloga de 65,7% do PIB do sector "Actividades de informação e de comunicação" (50,5% anuais), de 18,0% no "Alojamento e restauração", de 16,5% do sector "Produtos da Indústria Transformadora", ou de 12,5% em "Outros Serviços".
Crescimentos muito acima do que tem sido a média destes sectores, o que suscita dúvidas em alguns especialistas consultados pelo Expansão, que dizem que nos últimos tempos tudo o que é relatório divulgado pelo INE tem ido de encontro à narrativa do Governo. Em sentido contrário, ou seja, a empurrar a economia para baixo no IV trimestre estiveram a "Extracção e refino de petróleo" (-1,2%) e a "Extracção de Diamantes, Minerais Metálicos e de Outros Minerais" (-7,0%).
O crescimento de 3,1% vai contra as expectativas, por exemplo, das instituições multilaterais que têm apoiado Angola, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), que apontava a 2,1%, e do Banco Mundial, que projectou 2,3%.
Assim, apesar da forte queda na produção de petróleo em 2025, que passou de 411,5 milhões de barris para 36,0 milhões, olhando para o relatório do INE chega-se à conclusão que o petróleo hoje já não pesa tanto na economia como pesou no passado. Hoje, o sector do "ouro negro" contribui apenas para 13,9% do PIB nacional, tendo sido destronado pela "Agro-pecuária e Silvicultura" (22,9%), que em 2025 suplantou o "Comércio" (19,1%) e se tornou no sector que mais peso tem no PIB. Isto apesar de o petróleo ainda valer 93% das exportações angolanas (diamantes valem 5% e a restante actividade económica 2%).
O sector petrolífero tem estado em forte queda na última década, com a produção nacional a passar de 1,7 milhões de barris/dia em 2016 para pouco mais de 1,0 milhões em 2025. Quanto mais cair a produção, menor peso terá o sector no PIB. Nos últimos 10 anos, a variação homóloga deste sector no PIB apenas por três vezes não foi negativa. Assim, olhando para os dados do INE, tem sido o sector não petrolífero a empurrar a economia para cima. Ainda assim, o País ainda não está preparado para viver sem petróleo.
"O petróleo, directamente, pode representar menos de 20% do PIB, mas indirectamente contribui mais de 50% do desempenho da economia, isto é, para que sectores como o comércio, a agricultura e outros consigam dar o ar de sua graça, dependem dos recursos que a produção petrolífera fornece, tanto através dos cambias para a importação de máquinas, equipamentos e matéria-prima, assim como nas receitas fiscais do Estado", admite o economista Wilson Chimoco.
Volta a rever crescimentos
Depois de ter alterado a metodologia para cálculo do PIB no início de 2025, que inclui a migração do ano de referência de 2002 para 2015, que levou à revisão em alta dos crescimentos entre 2016 e 2024 e à suavização das recessões económicas.



