A produção agrícola assume um papel estratégico na segurança alimentar da região do Planalto Central e do país, destacou, ontem, no Huambo, a reitora da Universidade José Eduardo dos Santos (UJES).
Virgínia Quartim considera também de elevada importância a agricultura para o desenvolvimento económico e social, o aumento da produtividade e o reforço da resiliência face às alterações climáticas.Estas afirmações da reitora foram feitas durante a cerimónia de abertura das actividades académicas do primeiro curso de doutoramento em Agricultura, Segurança Alimentar e Gestão Sustentável dos Solos, iniciativa da Faculdade de Ciências Agrárias da UJES.
A académica defendeu o investimento na investigação científica, na inovação e na formação especializada como factores fundamentais para enfrentar os desafios da segurança alimentar em Angola.
Segundo a reitora, o programa de doutoramento, com a duração de quatro anos, representa um passo importante para consolidar o papel da produção agrícola no Planalto Central e contribuir para o reforço da produção agro-alimentar nacional.
Virgínia Quartim explicou que o curso resulta de uma iniciativa do Centro de Serviços Científicos da África Austral para as Alterações Climáticas (SASSCAL), organização que integra Angola, África do Sul, Botswana, Namíbia e Zâmbia e conta com o financiamento do Governo alemão.
Cooperação científica
Por sua vez, a directora executiva do SASSCAL, Nelago Indongo, considerou que o início das actividades académicas do curso constitui um marco importante para o desenvolvimento do ensino superior, da investigação científica e da formação avançada de quadros em Angola.
A responsável salientou que a iniciativa representa, igualmente, um avanço no fortalecimento da cooperação académica e científica entre os países da África Austral que integram o SASSCAL.
Investigação e inovação
Ao intervir na cerimónia, o decano da Faculdade de Ciências Agrárias da UJES, Ambrósio Fortunato, afirmou que o sector agrícola continua a enfrentar desafios estruturais, entre os quais a baixa produtividade, a degradação dos solos, as limitações no acesso à inovação tecnológica, a variabilidade climática e as dificuldades na gestão dos recursos naturais.
O curso vai funcionar nas instalações da Faculdade de Ciências Agrárias da UJES, na localidade da Chianga, arredores da cidade do Huambo, num edifício composto por 12 compartimentos, entre os quais duas salas de aula, quatro gabinetes de apoio, uma sala de reuniões, biblioteca e efeitório. A infra-estrutura dispõe, igualmente, de laboratórios destinados a análises de solos e estudos de microbiologia, bem como de um pavilhão de tecnologia alimentar, recursos que reforçam a capacidade científica e investigativa da instituição.




