Sonangol afirma que subsídios travam entrada de novos operadores

Os elevados subsídios aos preços dos combustíveis em Angola representam um entrave ao desenvolvimento do segmento de comercialização, armazenagem e distribuição de combustíveis e um travão ao investimento no sector, afirmou o PCA da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, durante a tradicional conferência de imprensa anual da maior empresa do País, que se realizou quarta-feira, 25, em Luanda.
"Desde que os subsídios existem, nenhuma entidade que opera na distribuição de derivados [de petróleo] em Angola está interessada em entrar no mercado completo", afirmou o principal gestor da Sonangol, que em 2025 teve uma quota de mercado de 84% na distribuição de combustíveis, durante o referido encontro com os jornalistas.
"A Total, que é nossa parceira, [tal como] a Pumangol ou a Sonangalp, apenas actuam no segmento de distribuição. Não entram na parte em que nós vamos lá fora comprar a 1,5 USD e temos que vender aqui a 30 cêntimos", lembrou Sebastião Gaspar Martins, numa alusão ao impacto dos subsídios nas contas da Sonangol e ao facto de a petrolífera nacional ser a única entidade importadora de combustíveis, sobretudo gasolina e gasóleo.
"Em nenhum momento caiu um pedido [da Total] para aumentar a sua rede, não temos isso". "Se [outros] puderem importar, eu vou estar aqui a dizer, ah, isto será muito bom", disse o PCA da Sonangol, que justificou a sua opinião: "Se outros participarem vão baixar esse grande esforço que nós fazemos, de manter o mercado. Algumas pessoas aperceberam-se que há escassez [de combustíveis]. Claro que é um problema logístico, mas este esforço de importar ao preço que é e vendê-lo ao preço que está, não sei se há muitos interessados". "Ninguém quer investir neste segmento por achar que não é rentável. Mas nós temos a responsabilidade de manter o mercado inteiro abastecido. E fazemo-lo", sublinhou Sebastião Gaspar Martins, que atirou a responsabilidade da introdução de reformas para o Governo.
"O dono do Estado, do País, tem como orientação manter o mercado mais ou menos nessa condição, embora esteja a ver de que forma pode sair. Por outro lado, o mercado de distribuição de combustíveis não está fechado. Quem quiser montar o seu posto de abastecimento é livre", disse o PCA da S nangol, ainda que a empresa tenha sido objecto de uma deliberação da Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) sobre o carácter monopolista da sua actuação na distribuição de combustíveis.
"Também até o monopólio é uma falsa imagem, a meu ver, às vezes dá a impressão que nós quase que fechamos, ou não permitimos, que outros entrem. Mas até eu, se quiser colocar um posto de abastecimento no mercado, eu ponho. Os preços é que provavelmente poderão levar a que o indivíduo reflita antes de investir na distribuição", defendeu Sebastião Gaspar Martins, que afirmou também que a empresa continua "a trabalhar com a ARC".
Privatizar a Pumangol?
"Pretendemos que a ARC perceba que houve investimentos que nós fizemos e que precisamos de recuperar, como é o caso da parceria com a própria Total", assinalou o gestor. A joint-venture reactivou e reformulou 50 postos de abastecimento que eram geridos pela Sonangol e que passaram a ser geridos pela empresa de origem francesa...



