O crescimento dos activos do sector bancário durante o exercício 2025 na ordem dos 11,5 por cento, equivalente a 26,3 biliões de kwanzas, aliado à subida do volume de crédito à economia para 23,3 por cento constituem um indicador plausível de um desempenho cada vez maior com a modernização das operações e pela introdução das novas tecnologias.
A perspectiva foi avançada, quarta-feira, em Luanda, pelo presidente executivo da Innovation Makers, Francisco Chaves, durante o seminário “Angola Reimagine Banking Forum”.
Evento é uma promoção da empresa Finastra, em parceria com a Innovation Makers e a Teciem, no qual estavam representantes do sector bancário, especialistas em tecnologia financeira e responsáveis pela transformação digital.
Ao dissertar sobre os desafios relacionados com a modernização dos sistemas bancários, gestão de liquidez, regulação, transformação digital e Inteligência Artificial generativa, o gestor enfatizou o facto das estatísticas dos últimos cinco anos e os resultados líquidos terem ultrapassado um bilião de kwanzas (acima de 23 por cento).
Francisco Chaves revelou que a Innovation Maker está a trabalhar, em sintonia com o Banco nacional de Angola (BNA), com vista ao lançamento de uma cloud (nuvem) angolana que permitirá aos bancos lançar o seu core bancário, entre outras soluções oferecidas num ambiente de software.
O especialista considera a modernização como "o factor decisivo" tendente a ultrapassar os desafios do sector relacionados com o uso da Inteligência Artificial, a consequente pressão regulatória e comercial, uma vez que Angola regista um crescimento extraordinário, numa altura em que urge a necessidade de inserir o maior número de cidadãos no sistema financeiro por intermédio de contas bancárias e demais aplicativos.
De acordo com as estatísticas de 2025, o crédito a clientes atingiu cerca de 7,8 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o que representa uma quantidade muito aquém do potencial, em comparação com Portugal em que representa cerca de 56 por cento e a África do Sul, 67 por cento. A banca angolana é rentável, é sólida, mas ainda financia pouco a economia.
O crescimento do crédito à economia que está a acontecer exige que os bancos tenham uma capacidade maior de avaliar o risco do preço, o que supõe ter dados viáveis, acima de tudo para clientes que nunca tiveram historial de crédito.
Os depósitos cresceram cerca de 8,6 por cento, o Rácio de Transformação para 36,3 por cento, o que demonstra que os bancos continuam a emprestar uma parte daquilo que captam a nível dos depósitos. O crédito vencido melhorou e atingiu 18 por cento, o nível de rentabilidade dos capitais próprios está perto dos 29 por cento.
O rácio dos fundos próprios em 23,2, ou seja, mais três vezes no domínio regulamentar. Os cinco maiores bancos geram quase 78 por cento das receitas do sector, isto é, uma concentração de grande parte do negócio.




