O director-geral da Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA) disse esta Quinta-feira que Angola é uma das principais prioridades do Grupo Banco Mundial e mostrou-se impressionado com os projectos em curso no país.
Tsutomu Yamamoto falava em entrevista à Lusa após quatro dias em Angola, onde visitou vários projectos, incluindo o de abastecimento de água BITA, no sul de Luanda, e o corredor do Lobito, que liga o porto angolano à República Democrática do Congo (RDCongo) num projecto ferroviário que vai até à Zambia.
"A minha principal conclusão no final da visita é a confirmação de que Angola é uma das principais prioridades do Grupo Banco Mundial", disse.
O director-geral da agência do Banco Mundial responsável por facilitar e financiar o investimento do sector privado nos países, disse que esta instituição multilateral está "entusiasmada com as oportunidades de apoiar as ambições de transformação energética de Angola, através da iniciativa Missão 300, de transformar a agricultura de pequena dimensão através da AgriConnect, de reforçar a segurança hídrica e de impulsionar a conectividade regional e o comércio de minerais essenciais para a transição energética através do apoio ao Corredor do Lobito".
Este corredor, defendeu, não é "um corredor físico, é um corredor económico devido às oportunidades que cria ao longo dos mais de mil quilómetros de linha desde Lobito até à fronteira com a RDCongo, e depois para a Zâmbia”.
Em Outubro, adiantou o executivo japonês, a Zâmbia vai acolher uma reunião para debater o envolvimento do Banco Mundial na expansão do projecto até à região da exploração mineira neste país, que faz fronteira com Moçambique.
O grupo pretende também aproveitar "oportunidades de segurança alimentar e de emprego, e a criação de postos de trabalho oferecidas pelo sector agroindustrial de Angola", disse Yamamoto, lembrando os 58 milhões de hectares de terra e as condições agrícolas e climáticas favoráveis do país.
"A agricultura fornece empregos a mais de metade da força de trabalho, mas falta produtividade. Angola gasta aproximadamente três mil milhões de dólares por ano em importações de alimentos", lamentou, destacando as vantagens dos programas de apoio à produção nacional que o Banco Mundial tem em curso no país.
Em Junho, o governo e o Banco Mundial lançaram o Compacto Agriconnect, um quadro nacional para impulsionar a produção, num modelo que Yamamoto espera garantir a criação de 700 mil postos de trabalho, gerar até 2,2 mil milhões de dólares em valor acrescentado anual e uma mobilização de 1,45 mil milhões de dólares em verbas públicas e privadas.
Questionado sobre a situação económica de Angola, no dia seguinte ao Banco Nacional ter revisto em alta a previsão de crescimento do PIB para mais de 6 por cento este ano, Yamamoto afirmou que a estabilidade económica, a par de um sistema jurídico sólido, são importantes para atrair investimento estrangeiro.
"Os investidores privados precisam de infraestruturas físicas — electricidade, redes de transporte, portos — e sem um quadro jurídico sólido, previsível e aplicável, o sector privado nunca poderá considerar o investimento nestes países; no caso de Angola, verificámos que o país possui essas bases e a situação económica está a melhorar e a estabilizar, com uma taxa de crescimento apoiada pelo sector não petrolífero, com a inflação a descer e o rácio da dívida pública a manter-se estável", depois de já ter estado acima dos 100 por cento no princípio da década.
"Estamos numa fase em que os investidores privados podem considerar o investimento em Angola; vejo um grande potencial e penso que é provável que este país venha a sofrer uma transformação, tendo acesso à energia, especialmente, e segurança hídrica nos próximos anos", disse o director-geral da MIGA à Lusa no final da visita ao país.




